Lançado nos fliperamas em 1991 e adaptado para o Super Nintendo em 1994, o clássico da Capcom misturou batalhas medievais, evolução de personagens e muita pancadaria em uma aventura que marcou a era dos 16 bits.
Desde muito novo, sempre fui um nerd assumido. Muito antes de conhecer algumas das grandes histórias dos videogames, já era fascinado por filmes, lendas medievais, cavaleiros, espadas e tudo que envolvesse aqueles mundos repletos de batalhas e aventuras. E um dos filmes que mais marcaram minha juventude foi Excalibur, lançado em 1981 e dirigido por John Boorman, com roteiro de Rospo Pallenberg e do próprio diretor, inspirado nas histórias arturianas de Thomas Malory.
Para quem não conhece, o filme apresenta uma interpretação da lenda do Rei Arthur, dos Cavaleiros da Távola Redonda e, claro, da lendária espada Excalibur. Era aquele tipo de história que mexia com a imaginação de um garoto apaixonado por fantasia medieval. As armaduras, os duelos, os castelos e toda aquela mitologia me fascinavam. Foi um interesse que carreguei comigo e que, anos depois, me levou a conhecer as obras de Bernard Cornwell, especialmente a trilogia As Crônicas de Artur, que apresenta uma visão mais crua e humana dessas lendas.
Agora, imagine juntar essa minha paixão pelo universo arturiano com outra que vocês já conhecem muito bem: os videogames. Foi justamente nos anos 1990, em uma daquelas visitas às locadoras que faziam parte da nossa rotina, que encontrei Knights of the Round, da Capcom, para o Super Nintendo.
E olha, para um garoto que já era fascinado pelas histórias do Rei Arthur, encontrar um jogo em que eu poderia controlar o próprio rei, enfrentar exércitos inimigos e distribuir espadadas pelos cenários era praticamente um convite irrecusável. Ainda mais quando descobri que se tratava de um daqueles jogos de porrada que tanto gostávamos de jogar com os amigos.
Só que Knights of the Round tinha algo diferente. Por trás de sua aparência de beat ‘em up tradicional, a Capcom havia colocado uma mecânica que fazia toda a diferença: nossos cavaleiros evoluíam durante a aventura, ganhando novas armaduras, armas e uma aparência cada vez mais imponente. Era quase como acompanhar a transformação de um guerreiro comum em uma verdadeira lenda medieval.
E, convenhamos, poucas coisas eram tão satisfatórias quanto começar uma aventura com um equipamento simples e terminar parecendo alguém que havia acabado de saquear o arsenal inteiro de Camelot.
A Capcom e a época de ouro dos jogos de porrada
Para entender o que tornou Knights of the Round tão especial, precisamos voltar ao início dos anos 1990, quando os beat ‘em ups viviam um de seus melhores momentos. Era a época em que resolver problemas na base da pancadaria virtual parecia ser a principal atividade dos heróis dos videogames.
A Capcom já havia conquistado seu espaço com Final Fight, lançado nos arcades em 1989, e continuava explorando o gênero com jogos como Captain Commando, de 1991. Enquanto isso, títulos como Teenage Mutant Ninja Turtles: Turtles in Time, da Konami, ajudavam a consolidar a popularidade das aventuras cooperativas.
Nos consoles domésticos, a situação não era muito diferente. O Super Nintendo recebeu diversos representantes do gênero, incluindo Batman Returns e Mighty Morphin Power Rangers: The Movie. Cada um tinha seus personagens, cenários e particularidades, mas a estrutura geralmente seguia a mesma receita: avançar pela fase, enfrentar grupos de inimigos e derrotar um chefe antes de seguir adiante.
E essa receita funcionava muito bem, principalmente quando tínhamos alguém ao lado para dividir a diversão. Ou para roubar aquele item de recuperação de energia que você estava desesperadamente tentando alcançar.
Foi nesse cenário que a Capcom lançou Knights of the Round nos fliperamas, em 1991, utilizando a placa CPS-1, a mesma família de hardware responsável por vários de seus grandes sucessos da época. Em 1994, o jogo recebeu uma adaptação para o Super Nintendo, permitindo que os jogadores levassem as batalhas medievais para dentro de casa.
O diferencial estava na maneira como a desenvolvedora combinou a ação tradicional dos beat ‘em ups com um sistema de progressão inspirado nos RPGs. Não era uma revolução completa do gênero, mas foi uma escolha que deu identidade ao jogo e tornou a evolução dos personagens uma das partes mais interessantes da experiência.
Rei Arthur, Excalibur e uma história que tomou algumas liberdades

Knights of the Round se inspira nas lendas do Rei Arthur e dos Cavaleiros da Távola Redonda, mas é bom deixar uma coisa clara: quem espera uma adaptação fiel das histórias arturianas provavelmente vai encontrar algumas surpresas.
A aventura começa depois que Arthur retira a lendária espada Excalibur, demonstrando ser o escolhido para governar. O mago Merlin então orienta o jovem rei a reunir forças e enfrentar o maligno Rei Garibaldi, que representa uma ameaça à unificação do reino. A missão também envolve a busca pelo Santo Graal, um dos elementos mais conhecidos da tradição arturiana.
É uma história que utiliza personagens e símbolos familiares para construir uma aventura de ação, sem grande preocupação em seguir os acontecimentos das obras literárias. Mas também não podemos exigir fidelidade histórica de um jogo em que três cavaleiros conseguem derrotar exércitos inteiros distribuindo espadadas sem parar.
E, para ser justo, a proposta nunca foi apresentar uma versão definitiva da lenda. A narrativa funciona como pano de fundo para uma jornada de batalhas, castelos e confrontos contra inimigos cada vez mais perigosos.
Para mim, essa ambientação sempre foi um dos grandes atrativos. Diferentemente de tantos beat ‘em ups que apostavam em ruas dominadas por gangues ou cenários urbanos, Knights of the Round nos transportava para um universo de fantasia medieval. Em vez de canos de ferro, facas e socos, tínhamos espadas, machados, armaduras e cavaleiros montados.
A mudança de cenário não alterava completamente a fórmula do gênero, mas dava ao jogo uma personalidade própria. E, para quem já gostava das histórias de Camelot, era um prato cheio.
Arthur, Lancelot e Percival: três cavaleiros, três estilos de combate

Uma das primeiras decisões em Knights of the Round é escolher qual dos três protagonistas vamos controlar. E, apesar de todos utilizarem armas medievais, cada personagem possui características que influenciam diretamente a maneira de jogar.
Arthur é o personagem mais equilibrado do trio. Empunhando a lendária Excalibur, ele apresenta uma boa combinação de força, velocidade e alcance. É uma escolha interessante para quem está conhecendo o jogo, pois permite enfrentar diferentes situações sem grandes limitações. Além disso, existe aquele prazer particular de controlar o próprio Rei Arthur em uma aventura inspirada em suas lendas.
Lancelot, por sua vez, é o cavaleiro mais ágil. Seus ataques são rápidos e sua movimentação facilita escapar de situações perigosas, embora seus golpes sejam menos poderosos. É o tipo de personagem ideal para quem prefere mobilidade e gosta de atacar antes que os inimigos tenham tempo de reagir. Em compensação, exige um pouco mais de paciência contra adversários resistentes.
Já Percival representa a força bruta. Armado com um enorme machado, ele possui ataques poderosos, capazes de causar bastante dano, mas sua movimentação é mais lenta. É aquele sujeito que talvez demore um pouco para chegar à briga, mas, quando chega, os inimigos percebem rapidamente que deveriam ter escolhido outra profissão.
Essa diferença entre os personagens contribui para a variedade da experiência. Jogar com Arthur não é exatamente igual a jogar com Percival, e a escolha influencia tanto os confrontos quanto a maneira de lidar com os chefes.
Também vale destacar que, apesar de utilizar personagens conhecidos das lendas arturianas, o jogo não tenta reproduzir fielmente suas personalidades literárias. Aqui, o importante é a função de cada cavaleiro dentro do combate. Afinal, ninguém alugava uma fita de Knights of the Round esperando longos debates filosóficos sobre os deveres da cavalaria.
Espadas, defesa e golpes especiais: a jogabilidade de Knights of the Round
Knights of the Round segue a estrutura clássica dos beat ‘em ups de progressão lateral. Os personagens avançam pelos cenários enfrentando grupos de inimigos, podendo se movimentar tanto horizontalmente quanto em diferentes planos de profundidade. É o mesmo princípio utilizado em jogos como Final Fight, mas adaptado para combates com armas medievais.
Na versão de Super Nintendo, o botão Y é utilizado para atacar, permitindo executar sequências de golpes contra os adversários. Embora o sistema pareça simples à primeira vista, o jogo oferece recursos que exigem um pouco mais de atenção, especialmente contra inimigos capazes de bloquear ataques ou responder rapidamente às investidas.
Uma das mecânicas interessantes é a possibilidade de defender golpes. Em vez de simplesmente apertar o botão de ataque sem parar, o jogador pode utilizar a defesa para reduzir os riscos durante os confrontos. Aprender a reconhecer os movimentos dos inimigos e escolher o momento certo para atacar faz bastante diferença, principalmente nas fases mais avançadas.
Os personagens também possuem golpes especiais capazes de atingir inimigos próximos. Como acontece em outros jogos da Capcom, esses ataques consomem parte da própria energia do protagonista. É um recurso útil quando estamos cercados, mas que exige cuidado, já que utilizar especiais indiscriminadamente pode deixar o personagem em uma situação ainda mais complicada.
Outro detalhe divertido é a possibilidade de utilizar cavalos durante determinadas partes da aventura. As montarias alteram a movimentação e permitem realizar ataques contra os adversários, acrescentando variedade aos confrontos. Mas não pense que estar montado transforma automaticamente seu personagem em um guerreiro invencível. Dependendo da situação, controlar o cavalo pode exigir mais habilidade do que simplesmente continuar lutando a pé.
O resultado é um sistema de combate acessível, mas que oferece espaço para aprendizado. Quem tenta resolver tudo apenas apertando o botão de ataque provavelmente vai sofrer bastante quando encontrar os inimigos mais resistentes.
E Knights of the Round não costuma ter muita piedade de jogadores excessivamente confiantes.
A evolução dos personagens era o grande diferencial
Se existe uma característica que realmente faz Knights of the Round se destacar entre tantos beat ‘em ups da época, é seu sistema de evolução.
A Capcom incorporou uma mecânica inspirada nos RPGs, permitindo que os personagens aumentassem de nível conforme acumulavam pontos durante a aventura. Esses pontos eram conquistados derrotando inimigos e recolhendo tesouros e outros itens espalhados pelos cenários.
Conforme o personagem alcançava determinados níveis, sua aparência mudava. As armaduras se tornavam mais elaboradas, as armas ganhavam novos detalhes e os cavaleiros passavam a transmitir uma sensação cada vez maior de poder.
E isso era fantástico para a época.
Hoje estamos acostumados com jogos que oferecem árvores de habilidades, equipamentos lendários, dezenas de atributos e sistemas complexos de progressão. Mas, em um beat ‘em up do início dos anos 1990, acompanhar visualmente o crescimento do personagem era algo que chamava bastante atenção.
O mais interessante é que a evolução não era apenas estética. O aumento de nível também melhorava as capacidades de combate dos cavaleiros, fazendo com que o progresso tivesse consequências práticas durante as batalhas.
Lembro que uma das coisas mais legais era justamente observar essas transformações. Você começava com um personagem relativamente simples e, conforme avançava, via suas armas e armaduras ficarem cada vez mais impressionantes. Era uma recompensa visual que dava vontade de continuar jogando, mesmo quando as fases começavam a ficar difíceis.
E a Capcom soube explorar muito bem essa sensação de progresso. Em vez de simplesmente passar de uma fase para outra, tínhamos a impressão de estar construindo um guerreiro cada vez mais poderoso.
Claro que o sistema não possuía a profundidade de um RPG tradicional. Não era possível escolher livremente equipamentos, distribuir pontos de atributos ou desenvolver habilidades por diferentes caminhos. A evolução acontecia automaticamente conforme os níveis eram alcançados.
Mas essa simplicidade era justamente parte do charme. Knights of the Round pegava uma ideia bastante conhecida dos RPGs e a adaptava para um gênero que precisava manter a ação constante.
E funcionava muito bem.
O multiplayer e a disputa pelos tesouros
Se Knights of the Round já era divertido sozinho, jogar acompanhado tornava a experiência ainda melhor. A versão original dos fliperamas permitia até três participantes simultâneos, enquanto a adaptação para o Super Nintendo oferecia suporte para dois jogadores.
E, para quem viveu a época das locadoras, essa era uma das melhores características do jogo. Bastava chamar um amigo, escolher os personagens e começar a aventura. A cooperação ajudava bastante nos confrontos, especialmente quando vários inimigos apareciam ao mesmo tempo ou quando chegávamos às batalhas contra os chefes.
Só que existia um pequeno detalhe capaz de colocar qualquer amizade à prova: os pontos de experiência não eram compartilhados igualmente.
Como a evolução dependia da pontuação individual, coletar tesouros e derrotar inimigos era importante para desenvolver o próprio personagem. Isso criava situações curiosas durante as partidas cooperativas, porque nem sempre os dois jogadores estavam interessados em dividir as recompensas.
Imagine a cena: você está enfrentando três inimigos ao mesmo tempo, tentando sobreviver com pouca energia, enquanto seu amigo aproveita a distração para recolher todos os tesouros espalhados pelo cenário. Quando percebe, ele já está evoluindo de nível e você continua com aquela armadura que parece ter sido emprestada pelo ferreiro da vila.
Era o tipo de situação que rendia boas discussões durante a jogatina. Afinal, teoricamente estávamos trabalhando juntos para salvar o reino, mas ninguém queria ficar para trás na evolução.
Essa competição dentro da cooperação era um dos elementos mais interessantes de Knights of the Round. O jogo incentivava o trabalho em equipe, mas também recompensava individualmente quem conseguia acumular mais pontos.
E, convenhamos, quem nunca teve um amigo que recolhia todos os itens antes mesmo de perguntar se alguém precisava deles?
Sete fases e uma dificuldade digna dos fliperamas

Knights of the Round apresenta sete estágios que levam os protagonistas por diferentes cenários medievais, incluindo campos de batalha, fortalezas e castelos ocupados pelas forças inimigas. Ao longo da jornada, os cavaleiros enfrentam soldados, arqueiros, guerreiros armados e adversários cada vez mais resistentes.
A variedade de inimigos contribui para manter os confrontos interessantes, especialmente porque alguns possuem padrões de ataque que exigem atenção. Não basta avançar distribuindo golpes sem pensar. Em determinadas situações, é necessário observar a movimentação dos adversários, utilizar a defesa e escolher cuidadosamente quando atacar.
E então chegamos aos chefes.
Aqui a Capcom resolveu lembrar aos jogadores que Knights of the Round nasceu nos fliperamas, onde cada derrota poderia significar mais uma ficha colocada na máquina. Os confrontos contra os chefes exigem paciência, precisão e uma boa dose de persistência, especialmente nas etapas finais.
A dificuldade pode parecer injusta em alguns momentos, principalmente quando vários inimigos pressionam o personagem ou quando um chefe consegue causar muito dano em poucos ataques. É o tipo de jogo que pune erros rapidamente e pode frustrar quem está acostumado com experiências mais generosas.
A versão de Super Nintendo manteve boa parte desse espírito desafiador. Mesmo jogando em casa, sem precisar gastar uma ficha a cada nova tentativa, terminar a aventura exigia habilidade e conhecimento das mecânicas.
E existe uma diferença enorme entre simplesmente chegar ao último estágio e conseguir derrotar o chefe final. Quem já passou por essa experiência sabe que os últimos confrontos podem transformar uma partida aparentemente tranquila em uma verdadeira batalha pela sobrevivência.
Mas também existe uma satisfação especial em superar esse tipo de desafio. Knights of the Round recompensa quem aprende os padrões dos inimigos, domina a defesa e utiliza os recursos disponíveis com inteligência.
Não é um jogo que entrega a vitória de bandeja. E talvez seja justamente por isso que terminar a aventura tenha um gosto tão especial.
Do fliperama ao Super Nintendo: o que mudou?
A versão original de Knights of the Round foi lançada em 1991 para os arcades, utilizando a placa CPS-1 da Capcom. O hardware permitia apresentar personagens grandes, cenários detalhados e uma quantidade considerável de inimigos na tela, características que ajudavam a destacar o jogo visualmente.
Em 1994, a aventura chegou ao Super Nintendo, recebendo uma adaptação para as limitações do console doméstico. Como acontecia com diversas conversões de arcade daquela época, algumas características precisaram ser ajustadas, incluindo aspectos gráficos, apresentação e quantidade de participantes simultâneos.
A mudança mais evidente estava no multiplayer. Enquanto os fliperamas permitiam três jogadores, a versão de Super Nintendo ficou limitada a dois participantes. Ainda assim, a experiência cooperativa continuava sendo um dos principais atrativos.
Visualmente, o jogo manteve boa parte da identidade do original, com personagens bem desenhados, armaduras detalhadas e cenários que transmitiam a atmosfera medieval. As animações e os efeitos também preservavam o estilo característico da Capcom, embora a versão doméstica apresentasse diferenças em relação ao arcade.
A trilha sonora acompanhava bem o clima da aventura, utilizando composições que reforçavam a sensação de estar participando de uma jornada épica. Os efeitos de espadas, golpes e confrontos também contribuíam para dar peso às batalhas.
Para quem conheceu Knights of the Round pelo Super Nintendo, como foi o meu caso, a adaptação cumpria muito bem seu papel. Era possível aproveitar a aventura em casa, acompanhar a evolução dos personagens e enfrentar os desafios sem depender de uma máquina de fliperama.
E havia uma vantagem considerável: quando a dificuldade começava a ficar absurda, pelo menos não era necessário procurar mais moedas no bolso.
Um beat ‘em up que soube aproveitar o universo medieval
Uma das coisas que mais gosto em Knights of the Round é como a Capcom conseguiu utilizar a ambientação medieval para dar personalidade a uma fórmula que já era bastante conhecida.
Na época, muitos beat ‘em ups apresentavam estruturas semelhantes. Os personagens avançavam pelos cenários, enfrentavam grupos de inimigos e derrotavam chefes até chegar ao final da aventura. O que geralmente mudava eram os protagonistas, os ambientes e alguns detalhes do sistema de combate.
Knights of the Round não abandonou essa estrutura, mas encontrou maneiras interessantes de enriquecê-la. O uso de armas medievais, a possibilidade de montar cavalos, os diferentes estilos de combate e, principalmente, a evolução dos personagens ajudaram a criar uma experiência que se destacava entre os concorrentes.
A escolha do universo arturiano também contribuiu bastante. Mesmo que o jogo tome enormes liberdades com as lendas, controlar Arthur, Lancelot e Percival oferece uma identidade que vai além de simplesmente escolher três guerreiros genéricos.
E existe algo particularmente satisfatório em acompanhar a transformação desses personagens durante a aventura. A evolução das armaduras e armas funciona quase como uma representação visual da jornada dos cavaleiros, reforçando a ideia de que eles estão se tornando guerreiros cada vez mais experientes.
É uma solução simples, mas muito eficiente. Em vez de depender de longos diálogos ou cenas elaboradas para demonstrar o crescimento dos protagonistas, a Capcom permite que o próprio jogador acompanhe essa transformação durante as batalhas.
Talvez seja justamente essa combinação entre simplicidade e boas ideias que tenha feito Knights of the Round permanecer tão presente nas minhas lembranças.
O legado de Knights of the Round e seu retorno aos consoles modernos
Embora Knights of the Round não tenha se transformado em uma grande franquia, o jogo conquistou seu espaço entre os beat ‘em ups mais lembrados da Capcom. Sua combinação de ação cooperativa, fantasia medieval e evolução de personagens ajudou a diferenciá-lo de outros títulos do gênero.
O jogo também voltou a ficar acessível por meio de relançamentos. Em 2018, foi incluído em Capcom Beat ‘Em Up Bundle, coletânea lançada para PlayStation 4, Xbox One, Nintendo Switch e PC, reunindo sete jogos clássicos de ação da empresa.
A coleção também apresenta títulos como Final Fight, Captain Commando, The King of Dragons, Warriors of Fate, Armored Warriors e Battle Circuit. Para quem gosta do gênero, é uma excelente oportunidade de revisitar diferentes fases da produção da Capcom e conhecer jogos que nem sempre receberam a mesma atenção nos consoles domésticos.
A presença de Knights of the Round nessa coletânea é importante porque ajuda a preservar um título que poderia ficar restrito às lembranças de quem frequentou os fliperamas ou teve contato com a versão de Super Nintendo.
Também permite que uma nova geração conheça uma experiência que, mesmo sem possuir sistemas complexos de evolução, apresentou uma maneira interessante de combinar mecânicas de RPG com a ação direta dos beat ‘em ups.
E isso é algo que considero fundamental quando falamos de preservação dos videogames. Não basta lembrar apenas dos grandes sucessos comerciais. Existem muitos jogos que contribuíram com ideias interessantes para seus respectivos gêneros e que merecem continuar disponíveis.
Knights of the Round certamente faz parte desse grupo.
Knights of the Round continua valendo a pena?
Revisitar Knights of the Round é, para mim, muito mais do que simplesmente voltar a jogar um beat ‘em up do Super Nintendo. É reencontrar uma época em que os videogames, os filmes e os livros alimentavam a mesma imaginação, criando conexões que permanecem conosco mesmo depois de tantos anos.
Minha paixão pelas histórias do Rei Arthur começou muito antes de conhecer o jogo da Capcom. O filme Excalibur abriu as portas para aquele universo de cavaleiros, batalhas e lendas, enquanto as obras de Bernard Cornwell aprofundaram meu interesse por essas histórias. Knights of the Round acabou se tornando mais uma maneira de explorar esse fascínio, desta vez com um controle nas mãos.
E o mais interessante é perceber que, mesmo deixando a nostalgia um pouco de lado, o jogo ainda possui qualidades que merecem reconhecimento. O sistema de evolução continua divertido, os personagens apresentam estilos de combate distintos e a ambientação medieval oferece uma identidade própria dentro de um gênero que recebeu tantos representantes semelhantes.
É claro que existem limitações. A dificuldade pode ser frustrante, algumas situações exigem bastante repetição e o sistema de combate não possui a profundidade de títulos mais modernos. Mas essas características também fazem parte de sua identidade como um jogo desenvolvido originalmente para os fliperamas.
Knights of the Round não precisa ser considerado perfeito para merecer seu lugar na história dos videogames. Seu mérito está em pegar uma fórmula conhecida, acrescentar boas ideias e entregar uma aventura que consegue ser divertida tanto pela ação quanto pela sensação de progresso.
Para quem viveu a época dos 16 bits, é uma excelente oportunidade de reencontrar um clássico das locadoras. Para quem não teve esse contato, vale a experiência de conhecer um jogo que mostrou como elementos de RPG poderiam funcionar muito bem dentro de um beat ‘em up.
E, se puder escolher, jogue acompanhado. Porque enfrentar exércitos medievais ao lado de um amigo continua sendo uma ótima diversão, mesmo que ele insista em pegar todos os tesouros antes de você.
No fim das contas, talvez essa seja uma das maiores qualidades de Knights of the Round: transformar uma lenda que atravessou séculos em uma aventura que marcou a memória de muitos jogadores.
E agora quero saber: você também conheceu Knights of the Round nas locadoras ou nos fliperamas? E qual era seu cavaleiro favorito: Arthur, Lancelot ou Percival?







