Super Nt+ e Mega Sg+ apostam na tecnologia FPGA para rodar jogos originais, com imagem em alta definição e recursos modernos. Os aparelhos chegam em dezembro de 2026.
Se você cresceu nos anos 90, provavelmente participou de uma das maiores rivalidades da história dos videogames: Super Nintendo ou Mega Drive? De um lado, Mario, Donkey Kong e Super Metroid. Do outro, Sonic, Streets of Rage e Gunstar Heroes. A discussão era séria, as provocações eram inevitáveis e, dependendo da roda de amigos, defender seu console favorito exigia quase tanta habilidade quanto terminar Contra III.
Mais de três décadas depois, essa rivalidade continua viva na memória de muita gente. A diferença é que agora não precisamos escolher um lado. Pelo menos não se o orçamento permitir.
A fabricante de hardware retrô Analogue anunciou dois novos aparelhos: Super Nt+ e Mega Sg+, versões atualizadas de seus consoles dedicados às bibliotecas do Super Nintendo e do Mega Drive, respectivamente. A proposta é bastante atraente para colecionadores e entusiastas: utilizar os cartuchos originais em equipamentos modernos, com saída HDMI e recursos de imagem que procuram preservar a experiência dos videogames clássicos.
Os novos modelos têm lançamento previsto para dezembro de 2026, com preço anunciado de US$ 219,99 cada. As pré-vendas começaram em 19 de outubro, e a empresa informa que realizará entregas internacionais.
Os cartuchos são antigos, mas a tecnologia é outra
Uma das principais características dos aparelhos da Analogue é a utilização de FPGA, sigla para Field-Programmable Gate Array. O nome pode parecer complicado, mas a ideia é relativamente simples: em vez de executar um programa que imita o funcionamento de um console antigo, como acontece na emulação tradicional por software, o FPGA é configurado para reproduzir o comportamento de seus circuitos digitais.
Isso permite que os aparelhos funcionem de maneira muito próxima à arquitetura dos videogames originais, utilizando diretamente os cartuchos físicos. É uma abordagem especialmente interessante para quem valoriza a resposta dos controles, a sincronização dos jogos e a fidelidade do hardware clássico.
Vale fazer uma distinção: FPGA não significa literalmente utilizar os mesmos chips encontrados dentro de um Super Nintendo ou Mega Drive fabricado nos anos 90. Trata-se de uma recriação de seu funcionamento em hardware reconfigurável. A qualidade dessa reprodução depende da implementação, mas a tecnologia permite evitar várias das dificuldades associadas à emulação convencional.
Na prática, a proposta é oferecer uma maneira moderna de aproveitar os jogos que muitos colecionadores passaram anos guardando. E existe algo especial nisso. Não estamos falando apenas de selecionar uma ROM em um menu, mas de retirar o cartucho da caixa, encaixá-lo no videogame e iniciar a partida.
Para quem cresceu soprando cartuchos na esperança de fazer um jogo funcionar, é quase uma cerimônia. Só vale lembrar que soprar os contatos nunca foi uma boa prática de conservação.
Super Nt+ e Mega Sg+: clássicos em 1080p e com novos recursos
Além da compatibilidade com os jogos originais de suas respectivas plataformas, os novos consoles trazem recursos voltados à utilização em televisores modernos.
Entre as funcionalidades anunciadas estão a saída de vídeo em 1080p, opções de apresentação em formato widescreen e simulação de scanlines, aquelas linhas horizontais associadas à aparência dos antigos televisores de tubo.
Esse último recurso merece atenção especial. Quem jogava em uma televisão CRT lembra que os gráficos dos videogames de 8 e 16 bits tinham uma aparência diferente daquela exibida em uma tela LCD ou OLED atual. As características da imagem analógica influenciavam a maneira como enxergávamos os pixels, as cores e até alguns efeitos visuais utilizados pelos desenvolvedores.
Por isso, a possibilidade de simular scanlines não é apenas um detalhe estético. Para muitos jogadores, é uma forma de recuperar parte da apresentação visual que acompanhava os jogos em sua época.
Já o suporte a widescreen oferece uma alternativa para as telas atuais, embora seja importante lembrar que os jogos originais foram desenvolvidos, em sua maioria, para a proporção 4:3. A presença dessa opção não significa necessariamente que todos os títulos passarão a exibir uma área maior do cenário.
Outra novidade anunciada é o hot swapping, recurso que permite trocar os cartuchos sem precisar desligar o aparelho. É uma conveniência interessante, principalmente para colecionadores que gostam de alternar entre diferentes jogos durante uma sessão.
Os novos modelos procuram, portanto, equilibrar duas propostas: respeitar o funcionamento dos videogames clássicos e oferecer facilidades que não existiam quando eles chegaram às lojas.
Uma nova oportunidade para o Super Nintendo e o Mega Drive
O anúncio também marca o retorno de dois produtos importantes para a história da Analogue. O Super Nt, lançado originalmente em 2018, foi desenvolvido para reproduzir a experiência do Super Nintendo por meio de FPGA. Já o Mega Sg, apresentado naquele mesmo período e lançado comercialmente em 2019, seguiu uma proposta semelhante para o universo do Mega Drive.
Os dois aparelhos conquistaram espaço entre entusiastas de hardware retrô por oferecer uma alternativa aos consoles originais, especialmente para quem desejava utilizar cartuchos físicos em televisores modernos sem depender de soluções de conversão de vídeo.
Isso não significa que eles substituam completamente a experiência de ligar um Super Nintendo ou Mega Drive original em uma televisão de tubo. Para muitos colecionadores, o equipamento da época continua sendo insubstituível. Mas aparelhos como os da Analogue ajudam a manter essas bibliotecas acessíveis, oferecendo uma opção para quem prefere a praticidade das conexões atuais.
E é interessante perceber como esses consoles continuam relevantes. O Super Nintendo e o Mega Drive representam uma geração que ajudou a consolidar gêneros, personagens e franquias que ainda influenciam a indústria. Jogos como Super Mario World, The Legend of Zelda: A Link to the Past, Sonic the Hedgehog 2 e Streets of Rage 2 continuam sendo lembrados não apenas pela nostalgia, mas também pela qualidade de suas mecânicas.
É por isso que a proposta da Analogue faz sentido. Esses jogos não precisam ser reinventados para continuar divertidos. Muitas vezes, basta encontrar uma boa maneira de jogá-los novamente.
Analogue já tem experiência em manter os cartuchos vivos
Os novos Super Nt+ e Mega Sg+ fazem parte de uma trajetória que a Analogue vem construindo há anos no mercado de hardware retrô.
Um dos exemplos mais conhecidos é o Analogue Pocket, portátil anunciado em 2019 e lançado em 2021, desenvolvido para utilizar cartuchos originais do Game Boy, Game Boy Color e Game Boy Advance. O aparelho também pode ser conectado a uma televisão por meio de uma base vendida separadamente.
A empresa aposta em um público bastante específico: jogadores que valorizam o acervo físico e desejam continuar utilizando seus jogos antigos com equipamentos modernos. É uma proposta diferente das coletâneas digitais e dos consoles em miniatura que se popularizaram nos últimos anos.
Enquanto essas alternativas normalmente oferecem bibliotecas pré-instaladas ou jogos adquiridos digitalmente, os aparelhos da Analogue procuram preservar a relação com a mídia original. Para quem possui uma coleção de cartuchos, essa diferença pode ser decisiva.
Preço e lançamento: nostalgia tem seu custo
O Super Nt+ e o Mega Sg+ custam US$ 219,99 cada, com lançamento previsto para dezembro de 2026. A Analogue iniciou as pré-vendas em 19 de outubro e anunciou a possibilidade de envio internacional.
Para os brasileiros, porém, é importante considerar que o valor em dólares não representa necessariamente o custo final da compra. Frete, impostos de importação e variação cambial podem tornar os aparelhos significativamente mais caros.
Também vale lembrar que estamos falando de consoles voltados principalmente a quem já possui cartuchos originais ou pretende começar uma coleção. O investimento, portanto, pode ir muito além do preço do hardware, especialmente quando entramos no universo dos jogos raros e disputados por colecionadores.
Ainda assim, é difícil não gostar da ideia de ver o Super Nintendo e o Mega Drive recebendo novos equipamentos dedicados às suas bibliotecas em pleno 2026. Em uma indústria que frequentemente olha para o futuro, iniciativas como essa mostram que existe espaço para preservar e revisitar experiências que ajudaram a construir a história dos videogames.
E, convenhamos, há algo muito divertido em imaginar alguém comprando um console novo para finalmente jogar aquele cartucho de Top Gear, Sonic ou Donkey Kong Country que está guardado há décadas.
A tecnologia mudou, as televisões cresceram e os controles ganharam recursos que ninguém imaginava naquela época. Mas a vontade de revisitar aqueles mundos continua exatamente a mesma.
Agora quero saber: se você pudesse escolher apenas um, ficaria com o Super Nt+ ou com o Mega Sg+? Ou a velha rivalidade entre Nintendo e Sega ainda não terminou por aí?



