Nintendo mostra novo visual, dublagem em português, mudanças na exploração e recursos inéditos do clássico de Zelda.
Poucos jogos carregam o peso histórico de The Legend of Zelda: Ocarina of Time. Por isso, mexer em um clássico lançado originalmente para Nintendo 64 em 1998 certamente não é uma tarefa simples. Durante o Nintendo Direct especial de 40 anos de The Legend of Zelda, a Nintendo finalmente mostrou melhor como pretende fazer isso.
Eiji Aonuma, produtor da série, apresentou ao vivo uma demonstração do aguardado remake, previsto para chegar ao Nintendo Switch 2 no final de 2026.
A apresentação começou justamente onde muitos jogadores iniciaram essa aventura quase três décadas atrás: na Floresta Kokiri.
Mas bastaram alguns segundos para perceber que não estamos diante apenas de Ocarina of Time com mais resolução.
Hyrule está bem diferente
Uma das primeiras novidades reveladas foi a nova direção artística escolhida para o remake.
A Nintendo abandonou a simplicidade visual imposta pelo Nintendo 64 para construir uma versão de Hyrule com uma aparência consideravelmente mais realista, mantendo personagens, locais e elementos reconhecíveis do original.
Floresta Kokiri foi utilizada para demonstrar essa transformação, mas a apresentação também passou por Castle Town, mostrando uma cidade muito mais movimentada e viva do que aquela que conhecemos em 1998.
E existe uma mudança importante acontecendo enquanto Link passeia pelo local.
O tempo não para mais dentro das cidades.
No jogo original, a passagem entre dia e noite acontecia principalmente nas áreas abertas, como o Campo de Hyrule. No remake, o relógio continua avançando mesmo quando Link está dentro das cidades.
Isso significa que Castle Town e outros locais poderão mudar naturalmente conforme as horas passam, aproximando o funcionamento do mundo daquilo que vimos nos capítulos mais recentes da série.
Sim, agora Link pula quando você mandar
Existe uma regra que jogadores de Zelda aprenderam durante décadas: Link pula quando Link quiser.
Ou, mais precisamente, quando chega à beirada de alguma coisa.
O remake de Ocarina of Time finalmente permitirá controlar manualmente o salto do personagem.
É uma mudança aparentemente pequena, mas que pode alterar consideravelmente a maneira como exploramos Hyrule, especialmente porque todo o design de movimentação do original foi construído ao redor do salto automático.
A apresentação também confirmou outra modernização importante: as transições entre determinados ambientes foram eliminadas.
Entrar em uma loja, por exemplo, não exige mais aquela interrupção seguida por uma tela de carregamento. A ideia é construir uma Hyrule mais contínua, reduzindo as divisões técnicas que eram inevitáveis no Nintendo 64.
São mudanças que mostram uma preocupação interessante da Nintendo: modernizar Ocarina of Time sem simplesmente transformar o jogo em Breath of the Wild usando outra história.
Ocarina of Time terá dublagem em português brasileiro
Outra mudança enorme está nas cinemáticas.
O remake contará com atuação de voz, algo inexistente no título original, e a Nintendo confirmou que o jogo será localizado e dublado em português brasileiro.
Para uma aventura tão marcada por seus diálogos, encontros e personagens, ouvir essas cenas completamente interpretadas muda bastante a apresentação da história.
O original utilizava caixas de texto para praticamente toda a narrativa, acompanhado pelas conhecidas vocalizações dos personagens. Agora, as cinemáticas poderão assumir uma estrutura muito mais próxima das produções modernas da Nintendo.
E isso significa que uma nova geração poderá conhecer personagens como Zelda, Ganondorf, Saria, Darunia e Impa falando em nosso idioma.
Agora resta uma pergunta extremamente importante.
Como será o “Hey! Listen!” da Navi em português?
Uma nova maneira de acompanhar a aventura
O remake também incorpora ideias apresentadas em Breath of the Wild e Tears of the Kingdom.
Uma linha do tempo de quests permitirá acompanhar objetivos e acontecimentos da aventura de maneira mais organizada, facilitando principalmente a vida de quem não sabe exatamente para onde seguir depois de ficar alguns dias longe do jogo.
Outro recurso curioso envolve a tapeçaria apresentada no teaser inicial do remake.
Durante o jogo, ela funcionará como uma espécie de mapa ilustrado da jornada, revelando áreas e personagens que Link encontrará enquanto avança pela aventura.
É uma solução que combina orientação com narrativa visual e parece ter sido pensada para preservar um pouco daquela sensação de descoberta do original sem deixar o jogador completamente perdido.
Embora, sejamos sinceros, ficar perdido por Hyrule fazia parte da experiência em 1998.
Você poderá tocar a Ocarina. De verdade. Mais ou menos.
Se existe um objeto que não poderia passar por um remake sem receber alguma novidade, é justamente aquele que está no nome do jogo.
A Ocarina do Tempo ganhará novas possibilidades de interação no Switch 2.
Além da maneira tradicional de executar as músicas dentro do jogo, será possível murmurar melodias utilizando o microfone do console.
Mais curioso ainda é o suporte para quem quiser utilizar uma ocarina real para executar as músicas.
O sistema reconhecerá as notas tocadas pelo jogador e permitirá interagir com as mecânicas musicais da aventura.
Pode ser completamente desnecessário?
Pode.
Também parece exatamente o tipo de coisa que alguém com uma ocarina guardada desde 1998 vai querer testar imediatamente.
Amiibos e um Switch 2 especial de Zelda
A comemoração não ficará restrita ao jogo.
A Nintendo revelou dois novos amiibos inspirados em Ocarina of Time, representando Link criança e a Princesa Zelda. As figuras serão lançadas em 2027, portanto chegarão depois do próprio remake.
Também foi anunciado um Nintendo Switch 2 especial de The Legend of Zelda, previsto para outubro de 2026.
A edição limitada acompanha a celebração dos 40 anos da franquia e chega justamente durante o período de preparação para o lançamento do remake.
Um clássico de 1998 reconstruído para outra geração
Lançado originalmente para Nintendo 64 em 1998, The Legend of Zelda: Ocarina of Time marcou a estreia da série principal em ambientes tridimensionais e ajudou a estabelecer diversas soluções que seriam utilizadas posteriormente não apenas por Zelda, mas por inúmeros jogos de ação e aventura.
O título já recebeu anteriormente uma grande atualização com The Legend of Zelda: Ocarina of Time 3D, lançado para Nintendo 3DS em 2011. A nova produção, entretanto, vai muito além daquela remasterização ao reconstruir visualmente o jogo e alterar diferentes sistemas da experiência original.
Pelo que a Nintendo mostrou no Direct, a proposta parece caminhar em uma direção delicada: manter reconhecível o Ocarina of Time que marcou uma geração enquanto remove limitações que pertenciam a um videogame lançado há quase 30 anos.
Salto manual, mundo mais contínuo, passagem dinâmica do tempo nas cidades, acompanhamento de quests, atuação de voz e novas maneiras de utilizar a ocarina são mudanças consideráveis.
Mas Floresta Kokiri continua lá.
Castle Town continua lá.
A Ocarina continua lá.
E provavelmente ainda vamos entrar naquela maldita Water Temple sabendo exatamente o que nos espera.
The Legend of Zelda: Ocarina of Time Remake será lançado para Nintendo Switch 2 no final de 2026.
