Lançado em 1992, o arcade da Namco colocou quatro cavaleiros para disputar castelos, enfrentar dragões e salvar uma princesa. Tudo isso com bombas, chicotes e uma rivalidade que transformava amigos em inimigos.
Uma das coisas que mais gosto quando volto a explorar os jogos antigos é descobrir títulos que, por algum motivo, passaram longe do meu radar. E olha que, quando a gente pensa que já conhece boa parte do que saiu nos anos 80 e 90, aparece alguma coisa para provar justamente o contrário.

Foi assim que Exvania chamou minha atenção. Um jogo da Namco, lançado em 1992 para os fliperamas, que pega uma fórmula muito parecida com a de Bomberman e coloca tudo dentro de um cenário medieval, com castelos, dragões, esqueletos e cavaleiros armados com bombas. Sim, bombas! Porque aparentemente espadas não eram suficientes para resolver os problemas da Idade Média.
E o melhor é a história. Temos uma princesa sequestrada, uma rainha maligna e quatro heróis dispostos a enfrentar todos os perigos para salvá-la. Até aí, nada muito diferente do que estávamos acostumados a encontrar nos videogames daquela época. Só que os quatro querem se casar com a mesma princesa e assumir o trono. Então, em vez de se ajudarem, resolvem disputar quem vai chegar primeiro, explodindo uns aos outros pelo caminho. E a opinião da princesa nessa história? Bom, aparentemente isso ficou para uma próxima reunião do conselho real.
O curioso é que Exvania reúne elementos de duas franquias bastante conhecidas, mas consegue criar uma experiência própria. A jogabilidade lembra Bomberman, enquanto a ambientação, os monstros e até os chicotes fazem pensar em Castlevania. E é justamente esse tipo de descoberta que me faz gostar tanto de revisitar a história dos videogames. Nem todo jogo interessante virou uma franquia famosa ou ganhou dezenas de continuações. Alguns simplesmente ficaram pelo caminho, esperando alguém tirar a poeira e dar uma nova chance.
Exvania é um desses casos. E quanto mais a gente conhece suas mecânicas e suas curiosidades, mais percebe que a Namco tinha algumas ideias bem peculiares para resolver uma disputa pelo trono.
A Namco e suas experiências nos fliperamas
Quando falamos da Namco, é quase impossível não lembrar imediatamente de Pac-Man, Galaga, Dig Dug e tantos outros jogos que ajudaram a construir a história dos arcades. Mas o catálogo da empresa vai muito além dos seus maiores sucessos. Durante os anos 1980 e 1990, a Namco também lançou títulos que experimentavam diferentes estilos de jogabilidade, personagens e propostas. Exvania faz parte dessa história.
Lançado no Japão em dezembro de 1992, o jogo surgiu em um período especialmente movimentado para os fliperamas. Street Fighter II havia ajudado a transformar os jogos de luta em um fenômeno, os beat ‘em ups continuavam populares e as desenvolvedoras buscavam maneiras de conquistar a atenção dos jogadores. Exvania, entretanto, seguiu um caminho diferente, apostando em arenas fechadas, partidas competitivas e suporte para até quatro participantes.
A proposta era relativamente simples, mas possuía uma característica interessante: as batalhas não eram confrontos isolados. Cada vitória contribuía para uma competição maior, envolvendo a conquista de castelos e o direito de enfrentar a vilã final. Dessa maneira, a Namco conseguiu dar continuidade à experiência multiplayer sem abandonar a ação rápida que lembrava Bomberman.
Quatro cavaleiros, uma princesa e nenhum espírito de equipe
A história começa quando Erinyes, a Rainha das Trevas, sequestra a princesa Electra e a mantém prisioneira no Castelo das Trevas. Quatro lordes medievais, Ward, Emilio, Charles e Karl, partem em uma jornada para resgatá-la. Até aqui, temos todos os ingredientes de uma aventura clássica: uma princesa em perigo, uma vilã poderosa e heróis preparados para enfrentar criaturas sobrenaturais.

O problema é que os quatro protagonistas não estão exatamente interessados em trabalhar juntos. Cada um deseja chegar primeiro ao castelo, derrotar Erinyes, resgatar Electra e conquistar o direito de se casar com ela, assumindo o governo de Exvania. Ou seja, salvar a princesa é apenas uma parte da missão. O verdadeiro objetivo é garantir que nenhum dos outros três consiga fazer isso antes.
E a solução encontrada pelos cavaleiros é bastante peculiar: disputar batalhas colocando bombas uns no caminho dos outros. Não sei quem organizou as regras dessa competição, mas certamente não era alguém muito preocupado com a segurança dos participantes.
O enredo funciona como uma justificativa divertida para a principal característica de Exvania: a rivalidade entre os jogadores. Em vez de quatro heróis enfrentando juntos o exército das trevas, temos quatro concorrentes que precisam sobreviver aos monstros e, principalmente, aos próprios adversários. É uma premissa simples, mas que combina perfeitamente com a proposta de transformar cada partida em uma disputa pelo controle do reino.
Bomberman de armadura? A comparação faz sentido
Quem já jogou Bomberman provavelmente vai se sentir familiarizado com Exvania logo nos primeiros minutos. Os personagens são posicionados nos quatro cantos de arenas vistas de cima, e o objetivo principal é eliminar os adversários utilizando bombas estrategicamente colocadas pelo cenário. O funcionamento básico é bastante semelhante: posicionar explosivos, calcular o alcance das detonações e tentar prender os rivais em locais sem saída.
Só que Exvania acrescenta algumas características próprias à fórmula. Para começar, cada personagem possui um chicote, que pode ser utilizado para atingir adversários e destruir determinados elementos do cenário. Quando um jogador é atingido pelo chicote, ele fica temporariamente atordoado. O golpe não é suficiente para eliminá-lo, mas pode deixá-lo vulnerável a uma explosão.
Isso cria possibilidades interessantes durante as partidas. Imagine que você está fugindo de uma bomba, encontra um adversário bloqueando sua passagem e resolve acertá-lo com o chicote. O problema é que, enquanto ele fica parado, a bomba continua prestes a explodir. Se você não calcular direito, os dois podem acabar indo pelos ares.
É justamente esse tipo de situação que torna Exvania divertido. O jogo não depende apenas de reflexos. É preciso observar o posicionamento dos outros participantes, entender o espaço disponível e escolher o momento certo para atacar. E, claro, lembrar onde você colocou suas próprias bombas. Porque perder para um adversário faz parte. Agora, ser eliminado pela própria armadilha é uma humilhação que nenhum cavaleiro gostaria de registrar nos livros de história.
Baús de tesouro e itens que podem mudar uma partida
As arenas de Exvania possuem diversos baús espalhados pelo cenário. Eles podem ser destruídos utilizando o chicote e escondem itens capazes de melhorar as habilidades dos personagens. Entre as melhorias estão calçados que aumentam a velocidade, bombas adicionais, explosivos maiores e bumerangues.
Esses recursos ajudam a transformar o andamento das partidas. Um personagem mais rápido consegue escapar de explosões com maior facilidade, enquanto outro, equipado com bombas mais poderosas, pode bloquear caminhos e controlar áreas maiores da arena. Mas existe um detalhe: coletar itens não significa necessariamente que você vai vencer. Em um jogo com quatro participantes tentando eliminar uns aos outros, a vantagem pode desaparecer rapidamente quando alguém comete um erro.
É aí que entra a estratégia. Vale a pena correr atrás de um baú enquanto outro jogador está preparando uma armadilha? É melhor tentar eliminar um rival imediatamente ou esperar que ele se aproxime de uma área mais perigosa? Essas decisões acontecem o tempo todo, especialmente nas partidas multiplayer.
Os itens também tornam os confrontos menos previsíveis, porque a situação pode mudar conforme os personagens conseguem novas habilidades. É uma mecânica relativamente simples, mas que combina muito bem com a proposta competitiva do jogo, oferecendo mais possibilidades do que apenas posicionar bombas e esperar que alguém seja atingido.
Oito castelos e uma disputa por medalhas
Uma das características que diferenciam Exvania de uma simples cópia de Bomberman é seu sistema de progressão. A competição acontece ao longo de oito castelos, cada um dividido em diferentes salas de batalha. O vencedor de cada confronto recebe uma medalha e, quando um jogador conquista três medalhas, assume o controle do castelo, permitindo que a disputa avance para o próximo.
Isso significa que vencer uma única rodada não é suficiente para garantir o domínio de um território. É necessário acumular vitórias, o que transforma cada confronto em parte de uma competição maior. Um jogador pode começar dominando as primeiras batalhas, mas acabar perdendo terreno conforme os adversários conseguem melhorias ou aprendem a lidar com suas estratégias.

E existe algo especialmente divertido nesse sistema: a possibilidade de atrapalhar quem está perto de conquistar o castelo. Se um participante já possui duas medalhas, os outros sabem que precisam impedir sua próxima vitória. Não é difícil imaginar a rivalidade que isso poderia provocar em uma partida com quatro pessoas. Afinal, uma coisa é perder uma batalha. Outra é ver aquele amigo que já está se achando o dono do reino conquistar mais um castelo.
Essa estrutura também ajuda a dar ritmo à aventura. Em vez de apresentar uma sequência de arenas sem muita conexão, Exvania cria uma sensação de avanço territorial, fazendo com que as vitórias tenham consequências dentro da competição. E, considerando que o objetivo final é conquistar o direito de enfrentar a Rainha das Trevas, cada medalha representa mais um passo em direção ao resgate da princesa.
Dragões, esqueletos e criaturas que complicam a vida
Como se enfrentar outros três cavaleiros armados com bombas não fosse suficiente, Exvania também coloca criaturas pelo caminho para complicar a vida dos participantes. Uma das atrações são os dragões, que aparecem a cada terceira sala. Essas criaturas gigantes circulam pelas arenas e podem surgir em três cores diferentes: vermelho, verde e preto.

Conforme os jogadores avançam pelos castelos, os dragões se tornam mais perigosos. Nos estágios posteriores, passam a utilizar ataques adicionais, incluindo baforadas de fogo que podem eliminar os personagens. E aqui temos uma situação interessante: enquanto os quatro cavaleiros estão preocupados em eliminar uns aos outros, existe um enorme dragão circulando pelo cenário. Talvez fosse uma boa ideia fazer uma trégua temporária, não? Mas, considerando que esses sujeitos nem conseguem concordar sobre quem vai salvar a princesa, esperar algum tipo de organização coletiva provavelmente é pedir demais.
Derrotar os dragões pode render boas recompensas, já que diversos itens aparecem ao redor da criatura eliminada. Isso cria um incentivo para enfrentar esses inimigos, mesmo que o combate represente um risco adicional. Dependendo da situação, tentar eliminar um dragão pode ser uma boa oportunidade para conseguir melhorias ou simplesmente mais uma maneira de acabar explodindo no meio da confusão.
Além deles, Exvania apresenta outros inimigos, incluindo criaturas semelhantes a slimes e esqueletos possuídos. Esses monstros menores não conseguem eliminar diretamente os protagonistas, mas podem deixá-los temporariamente atordoados. E isso é um problema considerável quando você está cercado de bombas. Um pequeno descuido pode ser suficiente para transformar uma partida que parecia controlada em uma derrota inesperada.
A presença dessas criaturas adiciona uma camada interessante às batalhas, porque os jogadores precisam prestar atenção não apenas nos adversários, mas também nos perigos que circulam pelo cenário. É uma maneira de tornar as arenas mais dinâmicas e impedir que todas as partidas dependam exclusivamente das mesmas estratégias.
A Morte não gosta de jogadores enrolados
Existe uma mecânica de Exvania que achei especialmente divertida. Quando o tempo restante da partida chega aos 40 segundos, a palavra DANGER aparece na tela. E o aviso deve ser levado a sério, porque a própria Morte surge na arena e começa a perseguir os cavaleiros, eliminando qualquer um que encostar nela.

Ou seja, se você é daqueles jogadores que preferem ficar correndo pelos cantos do cenário esperando os outros se matarem, Exvania tem uma surpresa reservada. A presença da Morte obriga os participantes a se movimentarem e torna os últimos segundos da batalha ainda mais perigosos.
Mas a situação consegue piorar. Caso o cronômetro chegue a zero e ainda existam personagens vivos, uma bruxa eletrifica toda a arena, eliminando os sobreviventes. Pronto. Acabou a discussão.
É uma solução bastante direta para impedir que as partidas se prolonguem indefinidamente. E, pensando no contexto dos fliperamas, faz todo sentido. Afinal, ninguém queria ficar assistindo a dois cavaleiros correndo em círculos durante uma eternidade.
O curioso é que a presença da Morte também reforça as semelhanças visuais e temáticas com Castlevania. Só que aqui ela não está esperando pacientemente em uma sala para enfrentar o protagonista. Ela simplesmente aparece para lembrar que o tempo acabou.
Erinyes e a batalha final pelo destino de Exvania

Depois de enfrentar os adversários, conquistar castelos e sobreviver às criaturas, chega o momento de encarar a responsável por toda a confusão. A Rainha das Trevas, Erinyes, é a chefe final de Exvania, e o jogador que obtiver o melhor desempenho ao longo da competição terá a oportunidade de enfrentá-la.
Diferentemente das batalhas anteriores, esse confronto coloca o cavaleiro diante da vilã responsável pelo sequestro da princesa Electra. Erinyes utiliza ataques mágicos, incluindo relâmpagos, para tentar impedir o resgate, exigindo que o jogador sobreviva aos seus ataques enquanto busca uma maneira de derrotá-la.
É uma conclusão interessante porque transforma a competição entre os quatro protagonistas em uma espécie de torneio para definir quem terá o direito de enfrentar a grande vilã. Depois de tantas disputas, apenas um deles poderá conquistar o objetivo que motivou toda a aventura.
E pensar que tudo isso poderia ter sido resolvido com quatro heróis trabalhando juntos. Mas aí provavelmente não teríamos Exvania.
O final de Karl é uma das maiores surpresas do jogo
Se a história de Exvania já parece um tanto absurda, espere até conhecer o encerramento de Karl. Cada um dos quatro protagonistas possui sua própria sequência final, mas a desse personagem reserva uma surpresa especialmente peculiar.
Depois de enfrentar monstros, conquistar castelos e finalmente chegar até a princesa Electra, Karl descobre que a aparência da jovem não corresponde exatamente ao que ele esperava. A reação do cavaleiro é tão exagerada quanto o restante da aventura: ele tenta afastar a princesa utilizando uma bomba. Só que a ideia não termina muito bem, já que o explosivo detona nas mãos de Electra e os dois acabam atingidos pela explosão.
Sim, depois de todo aquele esforço para resgatar a princesa, Karl consegue transformar o final da aventura em mais um acidente envolvendo bombas. É um daqueles encerramentos que carregam o humor exagerado dos videogames japoneses da época, embora a piada sobre a aparência da princesa seja um exemplo de humor que envelheceu mal.
Mas a curiosidade não termina aí. Durante a sequência, Karl apresenta uma expressão formada por uma combinação incomum de caracteres gregos e japoneses. E, por mais estranho que pareça, essa não foi a primeira vez que a Namco utilizou algo parecido.
Em Face Off, jogo de hóquei lançado em 1988, a desenvolvedora já havia utilizado caracteres gregos em uma expressão apresentada na tela de continuação. É um detalhe pequeno, mas que mostra como os desenvolvedores gostavam de inserir brincadeiras e referências bastante específicas em seus jogos.
E convenhamos: depois de passar por oito castelos e enfrentar uma rainha maligna, terminar a aventura explodindo junto com a princesa não é exatamente o final feliz que qualquer herói gostaria de receber.
Exvania e Castlevania: coincidência ou brincadeira da Namco?
Uma das primeiras coisas que chamam atenção em Exvania é seu nome. Para quem conhece Castlevania, da Konami, a semelhança é praticamente imediata. E não é apenas uma questão de nomenclatura. O jogo possui castelos sombrios, esqueletos, criaturas sobrenaturais, chicotes e até a própria Morte, elementos bastante associados à famosa franquia de ação.

Por isso, Exvania costuma ser relacionado a Castlevania, conhecido originalmente no Japão como Akumajō Dracula. Mas existe uma diferença fundamental entre os dois jogos. Enquanto Castlevania é uma aventura de ação centrada na exploração de cenários e no enfrentamento de monstros, Exvania aposta em confrontos competitivos dentro de arenas fechadas.
Na prática, sua jogabilidade está muito mais próxima de Bomberman. A associação com Castlevania funciona principalmente pela ambientação, pelos inimigos e pela presença dos chicotes.
Não há, nas informações disponíveis para esta matéria, uma declaração dos criadores confirmando que o título tenha sido concebido oficialmente como uma paródia da franquia da Konami. Portanto, essa relação deve ser entendida como uma interpretação baseada nas semelhanças entre os jogos.
De qualquer maneira, é difícil olhar para Exvania sem pensar nessas duas séries. E talvez seja justamente essa combinação que torne o jogo tão curioso, reunindo elementos familiares em uma proposta que consegue ter sua própria identidade.
Gráficos, trilha sonora e o hardware da Namco
Exvania foi desenvolvido para a placa de arcade Namco System NA-1, utilizada pela empresa em diferentes títulos daquele período. O hardware contava com processadores Motorola 68000 e M37710, além do chip de áudio C140.
Na parte visual, o jogo utiliza gráficos bidimensionais coloridos, personagens relativamente pequenos e arenas apresentadas por uma perspectiva superior. Essa escolha funciona bem para a proposta, já que, com até quatro cavaleiros, bombas, baús e criaturas circulando simultaneamente, era importante que os jogadores conseguissem identificar rapidamente os elementos do cenário.
Os ambientes medievais ajudam a dar personalidade às batalhas, enquanto os diferentes inimigos criam variedade ao longo da aventura. Exvania não tenta impressionar com personagens gigantescos ou animações elaboradas como os grandes jogos de luta da época. Seu foco está na clareza visual e na ação multiplayer, características essenciais para uma experiência competitiva.
A trilha sonora foi composta por Yoshie Arakawa e acompanha o clima de aventura e competição. As músicas do jogo também foram incluídas na série de álbuns Namco Video Game Graffiti, dedicada às trilhas dos jogos da empresa. Para quem gosta de trilhas sonoras de videogames antigos, esse é mais um detalhe que ajuda a preservar um pouco da história de Exvania fora dos próprios fliperamas.
Exvania ganhou uma nova chance em 2024
Uma das melhores coisas do movimento de preservação dos videogames antigos é a possibilidade de reencontrar títulos que não receberam a mesma atenção de franquias mais famosas. Exvania é um bom exemplo disso.
Em 4 de abril de 2024, o jogo foi relançado pela Hamster Corporation como parte da coleção Arcade Archives, com versões para Nintendo Switch e PlayStation 4. A coleção procura reproduzir os jogos originais de arcade, preservando suas características e oferecendo algumas funcionalidades modernas.

No caso de Exvania, os jogadores podem aproveitar a experiência original com suporte para até quatro participantes no mesmo sistema. A edição também oferece configurações de dificuldade, opções de apresentação que reproduzem características dos antigos monitores de tubo e rankings online de pontuação.
Vale destacar que o jogo utiliza a versão japonesa original, embora os menus e manuais possuam opções em outros idiomas. Outro detalhe importante é que os rankings online não significam que o jogo tenha multiplayer pela internet. A experiência multiplayer é local, mantendo a proposta de reunir os participantes diante da mesma tela.
O relançamento representa uma boa oportunidade para quem deseja conhecer Exvania sem precisar encontrar uma máquina original de arcade. E também mostra a importância dessas coletâneas e iniciativas de preservação, já que, quando pensamos em resgatar a história dos videogames, é natural lembrar primeiro dos grandes sucessos.
Mas existem centenas de jogos menos conhecidos que também fizeram parte dessa trajetória e merecem continuar acessíveis. Exvania é um deles.
Afinal, Exvania vale a pena?
Depois de conhecer Exvania, fica fácil entender por que gosto tanto de descobrir esses jogos que acabaram ficando à sombra dos grandes clássicos. Não estamos falando de um título que revolucionou a indústria ou criou um gênero completamente novo. Sua principal inspiração é bastante evidente, e quem já conhece Bomberman vai reconhecer rapidamente boa parte da proposta.
Mas isso não significa que Exvania não tenha suas próprias qualidades. A ambientação medieval, o sistema de conquista de castelos, a presença dos dragões, os diferentes itens e as situações inesperadas durante as partidas ajudam a dar personalidade ao jogo.
O multiplayer para quatro participantes continua sendo um de seus maiores atrativos. Existe algo muito divertido na ideia de reunir quatro pessoas para disputar um reino inteiro utilizando bombas e chicotes, principalmente quando todos estão convencidos de que merecem se casar com a mesma princesa.
É claro que a experiência pode não agradar quem procura uma aventura tradicional, com exploração, narrativa elaborada e progressão de personagem. Exvania é, acima de tudo, um jogo de competição em arenas, e é justamente nessa proposta que ele encontra sua identidade.
O mais interessante é perceber como a Namco conseguiu utilizar elementos familiares de outros jogos e criar uma experiência com algumas ideias próprias. Talvez Exvania nunca tenha conquistado a fama de Bomberman ou Castlevania, mas isso não diminui seu valor como uma curiosidade da história dos arcades.
E, para mim, essa é uma das partes mais legais de revisitar os videogames antigos: descobrir que, mesmo depois de tantos anos, ainda existem jogos capazes de surpreender. Exvania pode não ser um clássico lembrado por todo mundo, mas certamente merece uma oportunidade.
Agora quero saber: você já conhecia Exvania ou também está descobrindo esse curioso jogo da Namco?
