De torneios intergalácticos a monstros gigantes fazendo golpes de luta livre, relembramos clássicos, injustiçados e algumas bizarrices que mereciam outra chance.
Se você frequentava fliperamas ou passou boa parte dos anos 90 com um controle na mão, provavelmente lembra de uma época em que praticamente qualquer ideia podia virar um jogo de luta. Bastava reunir personagens com golpes especiais, colocar uma barra de energia na tela e torcer para que o resultado fosse o próximo Street Fighter II. Às vezes dava muito certo. Em outras, surgiam jogos tão estranhos que até hoje fica difícil entender como alguém conseguiu convencer uma produtora a investir neles.
E quer saber? Era justamente essa falta de limites que tornava aquela geração tão divertida.
O sucesso de Street Fighter II, em 1991, abriu as portas para uma verdadeira invasão de jogos de luta. Mortal Kombat trouxe violência e personagens digitalizados, The King of Fighters apostou nas equipes, Tekken ajudou a popularizar os combates tridimensionais e Virtua Fighter mostrou que o gênero poderia explorar movimentos mais realistas. Enquanto essas franquias conquistavam espaço e continuavam recebendo novas versões, dezenas de outras tentavam encontrar sua identidade.
Algumas apresentaram ideias excelentes, mas não tiveram a mesma sorte. Outras eram tão esquisitas que talvez precisassem de mais alguns anos de desenvolvimento. E existem aquelas que simplesmente desapareceram quando ainda tinham muito a oferecer.
Por isso, resolvi revisitar 15 jogos de luta lançados nos anos 90 que merecem ser lembrados. Nem todos foram obras-primas, e alguns certamente envelheceram melhor na memória do que na jogabilidade. Mas cada um deles representa um momento interessante de uma década em que a criatividade parecia não conhecer limites.
A lista está organizada pela ordem de lançamento original, e não por preferência. Afinal, colocar todos esses personagens em um torneio para decidir qual jogo merece voltar provavelmente acabaria em confusão.
1. Fighting Masters (1991)
Desenvolvedora: Almanic | Plataforma: Mega Drive
Antes mesmo de Street Fighter II transformar os jogos de luta em uma febre mundial, Fighting Masters já apresentava uma ideia bastante peculiar no Mega Drive. Em vez de simplesmente colocar dois lutadores em uma arena, o jogo imaginava uma competição intergaláctica envolvendo representantes de diferentes planetas. O motivo? Uma estrela estava prestes a explodir, ameaçando diversos mundos, e uma raça alienígena extremamente poderosa decidiu que só poderia salvar um deles. Como escolher o planeta merecedor? Organizando um torneio de luta, naturalmente. Pelo visto, até civilizações tecnologicamente avançadas têm dificuldades para resolver conflitos de maneira civilizada.
O elenco era um dos grandes atrativos, reunindo humanos e criaturas alienígenas com aparências bastante incomuns. Entre elas estava um lutador com características de cavalo, porque aparentemente alguém achou que um boxeador intergaláctico não seria interessante o suficiente sem um focinho. A jogabilidade, entretanto, seguia um caminho diferente daquele que se tornaria padrão nos anos seguintes. Os combates davam bastante importância a agarrões e arremessos, com uma dinâmica que lembrava mais confrontos contra chefes de jogos de ação do que os duelos técnicos popularizados pela Capcom.
Fighting Masters não se transformou em franquia, mas sua proposta continua curiosa. Um novo jogo poderia explorar melhor as diferenças entre as espécies, ampliar as mecânicas de combate e aproveitar uma premissa que continua deliciosamente absurda. Afinal, se o destino de um planeta depende de uma luta, pelo menos seria bom ter um sistema de combos decente.
2. King of the Monsters (1991)
Desenvolvedora: SNK | Plataformas: Arcade, Neo Geo, Super Nintendo e Mega Drive
Imagine uma mistura de filmes de monstros japoneses com luta livre profissional. Agora coloque criaturas gigantescas destruindo cidades enquanto aplicam suplexes, agarrões e golpes dignos de um espetáculo de wrestling. Essa é a proposta de King of the Monsters, um dos jogos mais criativos da SNK durante os primeiros anos do Neo Geo.
Inspirado na tradição dos filmes de kaiju, o título apresentava criaturas que lembravam monstros famosos do cinema e da televisão japonesa. Mas, em vez de simplesmente trocar socos até a barra de energia acabar, os participantes precisavam dominar seus adversários e imobilizá-los, como em uma luta livre. As cidades funcionavam como arenas, com prédios que podiam ser destruídos durante os confrontos e limites eletrificados que ajudavam a manter os monstros dentro da área de combate. Era praticamente um evento de wrestling em escala apocalíptica, com o pequeno detalhe de que o ringue era uma metrópole inteira.
A SNK lançou King of the Monsters 2 em 1992, mas a sequência mudou bastante a fórmula, incorporando uma estrutura de ação e progressão por fases. Embora o jogo tenha seus méritos, a proposta original de colocar monstros gigantes disputando combates de luta livre tinha uma identidade muito particular. Com os recursos tecnológicos atuais, imagine arenas completamente destrutíveis, criaturas com estilos próprios e confrontos multiplayer. Seria uma excelente oportunidade para recuperar uma ideia que continua divertida mais de três décadas depois.
3. Eternal Champions (1993)
Desenvolvedora: Sega Interactive | Plataforma: Mega Drive
Se existe uma franquia da Sega que merecia uma nova oportunidade, Eternal Champions certamente estaria entre minhas escolhas. Lançado para o Mega Drive em 1993, o jogo apostava em uma história muito mais elaborada do que a maioria de seus concorrentes. Um ser conhecido como Eternal Champion reunia pessoas de diferentes períodos históricos que haviam morrido antes de cumprir destinos importantes. Entre elas estavam artistas marciais, criminosos, guerreiros e personagens de épocas completamente distintas. O objetivo era decidir quem receberia uma segunda chance de viver e, possivelmente, alterar o curso da história.
E como resolver uma questão tão importante? Colocando todo mundo para sair na pancada, é claro.
Além da premissa, o jogo apresentava cenários interativos, personagens com estilos próprios e golpes especiais que exigiam atenção ao sistema de energia. A proposta era ambiciosa, especialmente para um título que tentava disputar espaço com os gigantes do gênero. Em 1995, a Sega lançou Eternal Champions: Challenge from the Dark Side para Sega CD, expandindo o elenco e tornando os combates ainda mais violentos.
A franquia também recebeu derivados como Chicago Syndicate e X-Perts, mas acabou desaparecendo. É uma pena, porque sua combinação de ficção científica, viagem no tempo e personagens históricos poderia render uma série bastante interessante. Em uma época em que tantos jogos exploram universos compartilhados e narrativas alternativas, Eternal Champions parece uma ideia que chegou cedo demais.
4. Saturday Night Slam Masters (1993)
Desenvolvedora: Capcom | Plataformas: Arcade, Super Nintendo e Mega Drive
Antes de pensar em mais uma sequência de Street Fighter, alguém na Capcom deveria lembrar que a empresa também criou um dos jogos de luta livre mais divertidos dos anos 90. Saturday Night Slam Masters misturava a apresentação dos espetáculos de wrestling com golpes exagerados e personagens que pareciam ter saído diretamente de um anime de ação.
Um dos grandes atrativos era a presença de Mike Haggar, o prefeito de Metro City e protagonista de Final Fight. Conhecido por resolver os problemas da cidade com socos e golpes de luta livre, Haggar finalmente encontrava um ambiente no qual suas habilidades faziam todo o sentido. O elenco também incluía figuras extravagantes, como o gigantesco King Rasta Mon, e os combates permitiam agarrões, arremessos e imobilizações, além de partidas em duplas que aumentavam consideravelmente a confusão dentro do ringue.
A série recebeu continuações, incluindo Ring of Destruction: Slam Masters II, que aproximou a jogabilidade dos jogos de luta tradicionais. Mas o charme do original estava justamente em combinar as regras da luta livre com a criatividade da Capcom. Uma nova versão poderia aproveitar personagens de Final Fight e Street Fighter, explorando as conexões entre esses universos sem perder a identidade de um verdadeiro espetáculo de wrestling.
E vamos combinar: se Mike Haggar consegue administrar uma cidade e ainda arrumar tempo para distribuir piledrivers, merece pelo menos mais um jogo próprio.
5. Teenage Mutant Ninja Turtles: Tournament Fighters (1993)
Desenvolvedora: Konami | Plataformas: Super Nintendo, Mega Drive e NES
Durante o começo dos anos 90, as Tartarugas Ninja estavam por toda parte. Desenhos animados, filmes, brinquedos, revistas e videogames ajudaram a transformar Leonardo, Raphael, Donatello e Michelangelo em alguns dos personagens mais populares daquela geração. A Konami já havia conquistado os jogadores com excelentes beat ‘em ups, como Teenage Mutant Ninja Turtles IV: Turtles in Time, mas resolveu experimentar um caminho diferente com Tournament Fighters.
A proposta era aproveitar a popularidade de Street Fighter II e colocar as Tartarugas em confrontos individuais contra outros personagens do universo da franquia. O interessante é que as versões de Super Nintendo, Mega Drive e NES não eram simplesmente adaptações idênticas. Elas apresentavam diferenças significativas de elenco, gráficos e jogabilidade, tornando cada edição uma experiência particular.
A versão de Super Nintendo ficou especialmente conhecida por seus gráficos coloridos, animações e golpes especiais, enquanto a edição do Mega Drive seguia uma abordagem própria. Para quem cresceu naquela época, era uma maneira diferente de aproveitar personagens que normalmente enfrentavam multidões de inimigos em jogos de ação.
As Tartarugas continuam populares e já retornaram aos videogames em diferentes estilos, mas um novo Tournament Fighters poderia funcionar muito bem. Imagine um elenco reunindo personagens de várias fases da franquia, animações modernas e um sistema de combate competitivo. Se até o Destruidor continua encontrando maneiras de voltar, não vejo por que esse torneio não poderia receber outra edição.
6. Time Killers (1992)
Desenvolvedora: Incredible Technologies | Plataformas: Arcade e Mega Drive
Se Mortal Kombat ficou famoso por seu sangue e seus Fatalities, Time Killers decidiu levar a violência para dentro da própria mecânica de combate. Lançado originalmente nos arcades em 1992, o jogo reunia guerreiros de diferentes períodos históricos em confrontos nos quais perder um braço não significava necessariamente o fim da luta. Dependendo do golpe recebido, um personagem podia continuar combatendo mesmo depois de ter um membro decepado.
Sim, alguém realmente achou que essa seria uma boa maneira de diferenciar um jogo de luta. E, considerando a competição daquela época, talvez não estivesse completamente errado.
O elenco incluía personagens inspirados em guerreiros históricos e figuras bastante extravagantes, cada um equipado com armas cortantes. A possibilidade de atingir diferentes partes do corpo criava situações incomuns, enquanto uma decapitação podia encerrar o combate imediatamente. A violência era tão central à experiência que acabava se tornando sua principal identidade.
Isso não significa que Time Killers fosse um grande jogo. Sua jogabilidade tinha limitações evidentes, e o título nunca alcançou o refinamento dos principais concorrentes. Mas a ideia de utilizar danos físicos como parte efetiva do combate poderia ser explorada de maneira mais interessante em uma releitura moderna. Com uma direção artística adequada e mecânicas bem desenvolvidas, talvez finalmente descobríssemos se havia um bom jogo escondido debaixo de todo aquele sangue.
7. ClayFighter (1993)
Desenvolvedora: Visual Concepts | Plataformas: Super Nintendo e Mega Drive
Em uma década dominada por lutadores musculosos, ninjas e artistas marciais, ClayFighter resolveu apresentar algo completamente diferente: personagens que pareciam feitos de massinha de modelar. O resultado era uma mistura de animação cartunesca, humor absurdo e paródia dos jogos de luta que faziam sucesso na época.
O elenco era um espetáculo à parte. Entre os personagens estavam Bad Mr. Frosty, um boneco de neve nada amigável, e Bonker, um palhaço que definitivamente não deveria trabalhar em festas infantis. As animações procuravam reproduzir o aspecto de figuras modeladas em argila, criando uma identidade visual imediatamente reconhecível.
A série ganhou continuações, incluindo ClayFighter 2: Judgment Clay e ClayFighter 63⅓, lançado para Nintendo 64. Este último recebeu críticas por seus problemas técnicos e pela execução irregular, enquanto Sculptor’s Cut, uma versão revisada, ficou conhecida por sua distribuição limitada como exclusivo de locação da Blockbuster nos Estados Unidos.
Apesar dos tropeços, a ideia de ClayFighter continua excelente. Em uma época na qual técnicas digitais permitem reproduzir animações com aparência artesanal, seria possível criar um jogo visualmente impressionante sem depender das limitações técnicas dos anos 90. O desafio seria acompanhar essa criatividade com uma jogabilidade realmente boa e evitar escolhas de representação que envelheceram mal na franquia.
Porque convenhamos: um boneco de neve mal-humorado trocando socos com um palhaço deveria ser divertido por muito mais tempo do que foi.
8. Darkstalkers: The Night Warriors (1994)
Desenvolvedora: Capcom | Plataformas: Arcade e PlayStation
Enquanto Street Fighter reunia artistas marciais de diferentes países, a Capcom resolveu imaginar o que aconteceria se o elenco fosse formado por criaturas clássicas do terror. Vampiros, lobisomens, múmias, monstros e outras figuras sobrenaturais ganharam espaço em Darkstalkers: The Night Warriors, lançado nos arcades em 1994.
O grande diferencial estava na direção artística. Os personagens apresentavam animações exageradas, transformações inesperadas e movimentos inspirados na linguagem dos desenhos animados. A combinação de terror e humor visual criava uma identidade própria, bastante diferente daquela encontrada nos outros jogos de luta da empresa.
A franquia ganhou continuações e apresentou personagens que se tornaram conhecidos mesmo fora de seus próprios jogos. Morrigan Aensland, por exemplo, participou de diversos crossovers da Capcom, especialmente na série Marvel vs. Capcom. Outros lutadores também continuaram aparecendo em coletâneas e produções especiais, mas isso nunca substituiu uma sequência completamente inédita.
Darkstalkers não está totalmente inacessível, já que seus jogos receberam relançamentos ao longo dos anos. O que falta é uma produção nova que aproveite o potencial daquele universo. Com a tecnologia atual, seria fascinante ver a Capcom recuperar suas animações extravagantes e criar um sistema de combate moderno sem abandonar a personalidade que tornou a série tão especial.
9. WeaponLord (1995)
Desenvolvedora: Visual Concepts | Plataformas: Super Nintendo e Mega Drive
Muito antes de Soulcalibur popularizar os confrontos entre guerreiros armados, WeaponLord já explorava a ideia de um jogo de luta no qual espadas, machados e outras armas eram parte fundamental da experiência. Desenvolvido pela Visual Concepts e publicado pela Namco, o título apostava em uma ambientação de fantasia sombria, com personagens musculosos, criaturas ameaçadoras e uma atmosfera que lembrava as ilustrações de histórias de espada e feitiçaria.
O visual era um de seus principais atrativos. Os personagens apresentavam desenhos detalhados, e a direção artística procurava transmitir uma sensação de brutalidade que combinava com os confrontos. A capa também chamou atenção por contar com arte de Simon Bisley, ilustrador conhecido por trabalhos em quadrinhos.
Mas WeaponLord não era um jogo que facilitava a vida de quem estava acostumado a apertar botões aleatoriamente. Seu sistema de combate exigia domínio de movimentos, tempo de reação e conhecimento das mecânicas, resultando em uma experiência bastante difícil. Essa complexidade ajudou a criar uma identidade própria, mas também dificultou sua popularização em um mercado que já estava repleto de concorrentes.
Hoje, com a popularidade de jogos de ação desafiadores e combates baseados em armas, a proposta parece ter espaço para uma segunda oportunidade. Um novo WeaponLord poderia aproveitar sua estética de fantasia sombria e oferecer uma experiência técnica sem repetir as barreiras de acessibilidade do original.
10. Street Fighter: The Movie (1995)
Desenvolvedoras: Incredible Technologies e Capcom | Plataformas: Arcade, PlayStation e Sega Saturn
Antes que alguém questione a presença deste jogo na lista, vale esclarecer: não estou dizendo que Street Fighter: The Movie foi um clássico injustiçado pela crítica. Muito pelo contrário. Estamos falando de um jogo baseado em um filme que, por sua vez, era baseado em um dos jogos de luta mais importantes da história. Só essa descrição já deveria ser suficiente para perceber que alguma coisa poderia dar errado.
Inspirado no longa-metragem de 1994, estrelado por Jean-Claude Van Damme como Guile e Raul Julia como M. Bison, o jogo utilizava imagens digitalizadas de atores para reproduzir os personagens. Era uma tentativa de aproximar Street Fighter da estética popularizada por Mortal Kombat, mas o resultado ficou distante do refinamento da série principal.
A versão de arcade e as adaptações domésticas também apresentavam diferenças importantes, o que torna essa experiência ainda mais curiosa. Entre as escolhas mais extravagantes estava a presença de personagens e interpretações que dificilmente apareceriam nos jogos tradicionais da franquia.
E é justamente aí que vejo alguma graça em imaginar um retorno. Não necessariamente como uma sequência séria, mas como uma homenagem àquele universo alternativo e exagerado dos anos 90. Uma produção assumidamente bem-humorada, que explorasse o visual do filme e suas situações absurdas, poderia transformar uma das experiências mais estranhas da Capcom em algo divertido.
Se já tivemos um filme baseado em um jogo e um jogo baseado nesse filme, por que não completar a confusão com uma releitura moderna?
11. Kizuna Encounter: Super Tag Battle (1996)
Desenvolvedora: SNK | Plataformas: Arcade e Neo Geo
A SNK sempre teve uma relação bastante próxima com os jogos de luta, mas nem todas as suas franquias receberam a mesma atenção de Fatal Fury, Samurai Shodown ou The King of Fighters. Um exemplo é Kizuna Encounter: Super Tag Battle, lançado em 1996 como continuação de Savage Reign.
O título apostava em combates por equipes de dois personagens, permitindo alternar entre os lutadores durante a partida. Essa mecânica ajudava a diferenciá-lo dos confrontos individuais mais tradicionais, embora o gênero já estivesse começando a explorar experiências semelhantes. Naquele mesmo período, a Capcom também apostava fortemente em jogos de equipes, como X-Men vs. Street Fighter.
O universo de Kizuna Encounter tinha uma personalidade bastante peculiar. A ambientação misturava elementos urbanos, personagens extravagantes e uma visão futurista que não dependia de roupas brilhantes ou equipamentos tecnológicos para transmitir sua identidade. Entre os lutadores estava King Lion, um antagonista com visual exagerado e uma espada gigantesca, que parecia reunir todas as características necessárias para ser levado a sério por absolutamente ninguém. E, de alguma forma, isso funcionava.
O jogo não conquistou o mesmo espaço das principais franquias da SNK, mas sua proposta de combate em duplas merecia ser revisitada. Com personagens bem trabalhados, sistemas modernos de troca e uma identidade visual atualizada, Kizuna Encounter poderia oferecer uma alternativa interessante dentro do catálogo da empresa.
12. Mace: The Dark Age (1997)
Desenvolvedora: Atari Games | Plataformas: Arcade e Nintendo 64
Quem teve um Nintendo 64 e gostava de jogos de luta provavelmente se lembra de como era difícil encontrar alternativas à altura das grandes franquias disponíveis no PlayStation. Nesse cenário, Mace: The Dark Age apareceu como uma opção bastante curiosa, misturando combates tridimensionais com armas e uma ambientação de fantasia medieval sombria.
Lançado originalmente nos arcades em 1997, o jogo reunia guerreiros com aparências extravagantes, incluindo cavaleiros, criaturas sobrenaturais e personagens que pareciam ter saído de uma campanha de RPG particularmente violenta. A proposta lembrava os confrontos armados de Soul Edge, mas com uma atmosfera mais brutal, próxima do exagero característico de Mortal Kombat.
Além dos combates, Mace ficou conhecido por seus movimentos de execução, que reforçavam a violência do universo. O elenco também incluía personagens secretos bastante incomuns, entre eles uma galinha gigante. Porque, aparentemente, nem mesmo uma fantasia medieval sombria está completa sem uma ave de proporções absurdas.
Apesar de não ter se transformado em uma grande franquia, o jogo possuía elementos interessantes para uma continuação. Seu universo poderia ser expandido com novos guerreiros, cenários e sistemas de combate mais refinados. Em um mercado no qual jogos de fantasia sombria continuam populares, talvez exista espaço para recuperar essa mistura de armas, monstros e violência exagerada.
13. The Last Blade (1997)
Desenvolvedora: SNK | Plataformas: Arcade e Neo Geo
Se existe um jogo desta lista que realmente merece ser lembrado pela qualidade de sua apresentação, é The Last Blade. Lançado pela SNK em 1997, o título explorava confrontos com armas em uma ambientação inspirada no Japão do século XIX, combinando personagens carismáticos, cenários detalhados e animações em pixel art impressionantes.
Embora a SNK já tivesse experiência com lutas armadas por meio de Samurai Shodown, The Last Blade seguia uma identidade própria. Seus combates tinham uma dinâmica diferente, com sistemas que permitiam escolher abordagens mais voltadas à força ou à velocidade. A ambientação também contribuía para criar uma atmosfera mais dramática, reforçada pelos cenários e pela apresentação dos personagens.
A franquia recebeu uma sequência em 1998, The Last Blade 2, frequentemente lembrada entre os grandes jogos de luta bidimensionais da geração Neo Geo. Apesar da qualidade dos dois títulos, a série não continuou recebendo novos capítulos. Alguns personagens apareceram posteriormente em crossovers, como Hibiki Takane em Capcom vs. SNK 2, mas essas participações nunca representaram um verdadeiro retorno da franquia.
O que torna essa ausência ainda mais curiosa é que The Last Blade não precisaria abandonar sua identidade para funcionar atualmente. Uma continuação com animações modernas em pixel art, cenários detalhados e um sistema de combate que respeitasse a proposta original já seria suficiente para chamar atenção. Entre tantos jogos que merecem voltar, este é um daqueles em que a pergunta parece inevitável: SNK, por que ainda não aconteceu?
14. Power Stone (1999)
Desenvolvedora: Capcom | Plataformas: Arcade e Dreamcast
Poucos jogos conseguiram transformar uma luta em uma bagunça tão divertida quanto Power Stone. Lançado em 1999, o título abandonava a estrutura tradicional dos confrontos em duas dimensões e colocava os personagens em arenas tridimensionais nas quais praticamente tudo podia ser utilizado durante a batalha.
Em vez de permanecer diante do adversário esperando uma oportunidade para executar um combo, o jogador precisava correr pelo cenário, aproveitar objetos, desviar de ataques e disputar as famosas Power Stones. Ao reunir três dessas pedras, o personagem se transformava temporariamente, ganhando poderes especiais capazes de mudar completamente o rumo da luta.
A sequência, Power Stone 2, lançada em 2000, ampliou ainda mais o caos ao permitir confrontos com quatro participantes e cenários que se transformavam durante as partidas. Era o tipo de jogo perfeito para reunir amigos, especialmente quando ninguém estava muito preocupado em competir de maneira séria.
Embora a franquia tenha recebido relançamentos, ela nunca ganhou um terceiro capítulo. E isso continua sendo difícil de entender. A Capcom possui um catálogo enorme de personagens e experiências que poderiam enriquecer uma nova edição, mas Power Stone nem precisaria depender de participações especiais para funcionar. Sua fórmula de arenas interativas, itens e confrontos imprevisíveis continua extremamente divertida.
Se existe um jogo que merecia voltar para provocar discussões entre amigos no sofá, é este.
15. Garou: Mark of the Wolves (1999)
Desenvolvedora: SNK | Plataformas: Arcade, Neo Geo e Dreamcast
Fechando nossa viagem pelos anos 90, temos um caso diferente dos demais. Durante muito tempo, Garou: Mark of the Wolves foi lembrado como um dos grandes jogos de luta que mereciam uma sequência. E, felizmente, essa história mudou.
Lançado em 1999, Garou representou uma renovação importante para a série Fatal Fury. Ambientado anos depois dos acontecimentos anteriores, o jogo apresentou uma nova geração de lutadores, com Rock Howard, filho de Geese Howard e protegido de Terry Bogard, assumindo o protagonismo. Terry também retornava, mas com um visual diferente, marcado pela jaqueta e pelo boné que se tornaram característicos dessa fase do personagem.
Além da excelente animação em pixel art, Garou introduziu sistemas de combate que ajudaram a diferenciá-lo dos jogos anteriores da franquia. O resultado foi um título que conquistou uma reputação especial entre os fãs de jogos de luta, mesmo sem receber uma continuação imediata.
Durante muitos anos, a ausência de um novo capítulo alimentou pedidos dos jogadores. Mas, em 2025, a SNK finalmente lançou Fatal Fury: City of the Wolves, retomando a franquia e trazendo de volta personagens ligados ao universo de Garou.
Portanto, sua presença nesta lista tem um significado especial: é a prova de que algumas franquias realmente conseguem escapar do esquecimento. O retorno de Fatal Fury mostra que uma série pode permanecer muito tempo sem novidades e ainda encontrar espaço no mercado moderno.
E, se isso aconteceu com Garou, quem sabe não exista esperança para outros nomes desta seleção?
O gênero de luta precisa de novas ideias, mas também pode recuperar antigas
Revisitar esses 15 jogos deixa uma coisa bastante clara: os anos 90 foram um período de experimentação extraordinária para os jogos de luta. Nem todas as ideias funcionaram, e algumas provavelmente não sobreviveriam a uma análise mais rigorosa hoje. Mas havia uma disposição enorme para tentar algo diferente, fosse colocando monstros gigantes em um ringue, reunindo guerreiros de diferentes épocas ou transformando bonecos de massinha em lutadores.
É claro que não precisamos de continuações para absolutamente tudo. Alguns jogos talvez funcionem melhor como curiosidades históricas, enquanto outros merecem apenas ser preservados e disponibilizados em plataformas atuais. Mas franquias como Darkstalkers, The Last Blade, Eternal Champions e Power Stone ainda possuem características que poderiam render experiências interessantes.
O retorno de Fatal Fury demonstra que revisitar uma propriedade antiga não precisa significar apenas explorar a nostalgia. Quando existe uma proposta consistente, é possível apresentar esses universos a uma nova geração e, ao mesmo tempo, oferecer aos veteranos uma oportunidade de reencontrar personagens que marcaram suas histórias com os videogames.
E talvez seja justamente isso que mais sinto falta daquela época: a sensação de que qualquer ideia maluca poderia se transformar no próximo grande jogo de luta.
Agora quero saber: qual desses jogos você gostaria de ver de volta? E qual clássico dos anos 90 ficou faltando nesta lista?
