
Lançado originalmente nos arcades em 1989 e chegando ao Mega Drive em 1990, Golden Axe é um dos grandes símbolos da SEGA na era pré-16 bits “raiz”. Revisitá-lo hoje é um convite direto à fantasia bárbara que marcou época: espadas, magia, monstros e um vilão carismático na medida do ódio.
No meu caso, a experiência vem carregada da nostalgia dos anos 2000, quando alternava sessões de Conan, o Bárbaro (Schwarzenegger mode on) com longas jogatinas cooperativas ao lado da minha irmã.
A história é simples. Death Adder sequestra o rei e a rainha de Yuria e ameaça dominar o reino com o poder do lendário Golden Axe. Para detê-lo, três heróis partem em jornada de vingança: Ax Battler, o guerreiro; Tyris Flare, a amazona que domina magia de fogo; e Gilius Thunderhead, o anão do machado (meu personagem fixo), enquanto minha irmã sempre escolhia a Tyris na época.
É o clássico “vilão faz merda, heróis saem batendo em tudo”, e funciona perfeitamente para o tipo de experiência que o jogo propõe.




Um dos maiores acertos de Golden Axe está no ritmo do combate. Tecnicamente, o game design aposta em leitura de inimigos, posicionamento e controle de espaço, algo que vai muito além do simples apertar de botões. Cada adversário tem comportamento próprio, ataques com alcance diferente e janelas claras de punição. Isso faz com que a dificuldade inicial pareça injusta, mas aos poucos se revele justa e até elegante.
O sistema de magia é outro ponto interessante: ela funciona como um recurso valioso, limitado e facilmente roubado pelos famigerados duendes entre as fases. Isso cria uma camada estratégica que obriga o jogador a decidir entre gastar magia cedo para sobreviver ou guardá-la para momentos críticos. Decisão que, no meu caso, quase sempre termina em arrependimento.






O level design é totalmente linear, mas muito bem encadeado, vemos e sentimos a progressão do mundo. O mapa do jogo reforça a sensação de jornada, deixando claro que estamos atravessando o reino em direção ao confronto final. Cada cenário muda não só visualmente, mas também no tipo de inimigo, no ritmo das batalhas e na forma como o jogador precisa se posicionar. Começamos enfrentando criaturas gigantes, seguimos por costas montados em águias, passamos por vilarejos e fortalezas até chegar ao castelo de Death Adder.
As montarias merecem destaque técnico: elas não são apenas um bônus visual, mas alteram completamente o fluxo do combate. Saber quando montar, quando desmontar e como explorar seus ataques é parte essencial da curva de aprendizado. E aqui vai meu viés pessoal: o dragão cinza-azulado que cospe fogo no chão continua sendo o melhor de todos.





Visualmente, Golden Axe aposta numa dark fantasy mais realista e “adulta” para os padrões da época. Mesmo com reutilização de sprites e mudanças de paleta algo comum nos anos 90 o jogo se mantém coeso e expressivo, pois cada “Coloração” muda os status dos inimigos. Os personagens têm presença, os inimigos impõem respeito e o mundo transmite a sensação constante de perigo.
A trilha sonora é outro pilar técnico forte. Ela não serve apenas como fundo, mas como reforço de clima, principalmente na abertura e no confronto final. São músicas que até hoje funcionam como gatilho imediato de memória.
Um detalhe curioso da versão de Mega Drive, que só fui descobrir depois de adulto: ela possui mais conteúdo que o arcade. Após resgatar o rei e a rainha, ainda encaramos uma fase extra com um boss adicional, e que fase difícil. Um ótimo exemplo de como o port caseiro foi tratado com carinho.







Conclusão
Golden Axe envelheceu com dignidade. É um jogo direto, desafiador e extremamente carismático, que recompensa aprendizado e leitura de jogo mais do que reflexo puro. Funciona tanto como uma viagem nostálgica quanto como um beat ’em up sólido até para quem nunca encostou nele antes.
Jogar hoje deixa claro: não era mais fácil antigamente, a gente só tinha mais tempo e menos boleto pra pagar. Joguei essa versão traduzida no Retroarch, justamente por estar traduzido e poder trazer aqui, mas podemos encontrar não só ela como sua trilogia na Steam no Sega Mega Drive & Genesisi Classics collection, onde também terminei por lá e ostento a conquista What are the buttons? por ERRAR o botão de ataque e soltar a magia no nada (Quem nunca?).






Nota: 9/10
tempo da jogatina: 1h40 (com 4 tentativas para finalizar a play)
Indicado para: fãs de fantasia bárbara, beat ’em ups clássicos e quem gosta de desafio com personalidade.
