Do terror à fantasia, passando pelo sertão brasileiro e pelos fliperamas, a Brasil Game Show reuniu produções independentes com propostas bastante diferentes.
Existe um fenômeno curioso na Brasil Game Show: você entra no evento com uma lista de jogos que pretende conhecer e sai de lá com outra, três vezes maior. A mochila pode até voltar cheia de brindes, mas o verdadeiro problema é encontrar tempo para jogar tudo depois.
E boa parte da responsabilidade por isso é dos jogos independentes.
Enquanto os grandes lançamentos disputam a atenção do público, os estúdios menores aparecem com ideias que nem sempre caberiam nas produções milionárias da indústria. É nesse universo que encontramos homenagens aos clássicos, experimentos de jogabilidade e histórias que utilizam referências pouco comuns nos videogames.
Quer alguns exemplos? Um jogo de Baki inspirado em Super Punch-Out!!, um roguelike que recupera as fusões de Yu-Gi-Oh! Forbidden Memories, uma investigação envolvendo a morte de Brás Cubas e um RPG de ação que transforma a Guerra de Canudos em fantasia sombria.
E ainda tem um boomer shooter brasileiro com demônios, favela e uma viagem que chega até o Céu. Porque, aparentemente, enfrentar monstros apenas no Inferno já não era suficiente.
Na BGS 2026, produções brasileiras e internacionais mostraram diferentes maneiras de explorar gêneros conhecidos e experimentar novas possibilidades. Algumas já chegaram ao mercado, enquanto outras continuam em desenvolvimento.
O Passa de Fase reuniu 26 jogos independentes que merecem entrar no seu radar. Não é um ranking dos melhores da feira, mas uma seleção de projetos que chamam atenção por suas mecânicas, histórias, referências e identidade.
Prepare a lista de desejos. Você provavelmente vai precisar dela.
Ação, combate e aquele chefão que não quer morrer
Onikura | Too Dark Studio
Existe um tipo de jogador que não descansa enquanto não aprende todos os movimentos de um chefe. É justamente para esse público que Onikura apresenta sua proposta.
O jogo aposta no formato boss rush, concentrando a experiência em confrontos contra adversários poderosos. A progressão envolve aprender padrões de ataque, dominar os comandos e encontrar oportunidades para reagir. O combate oferece golpes convencionais, especiais, aparos e habilidades únicas, permitindo que o jogador personalize seu estilo conforme avança.
A proposta recupera uma das sensações mais conhecidas dos jogos de ação exigentes: aquela satisfação de finalmente derrotar um inimigo depois de compreender como ele funciona. Em Onikura, o desafio não está apenas em atacar mais rápido, mas em aprender a lutar melhor.
Aviãozinho Pré-4 | Joeveno
Alguns jogos precisam de uma apresentação elaborada para despertar curiosidade. Aviãozinho do Tráfico Pré-4 consegue isso apenas com sua premissa: demônios escaparam de um portal para o Inferno aberto em uma favela, e agora alguém precisa resolver a confusão.
A sequência independente do boomer shooter brasileiro de Joeveno leva o jogador por uma jornada que passa pelo Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador, Inferno e até o Céu. Tudo isso acompanhado pelo humor absurdo e pela identidade brasileira que caracterizam o projeto.
Desenvolvido com a id Tech 2, tecnologia associada a Quake II, o jogo abraça a estética e a estrutura dos FPS dos anos 1990. A ação privilegia movimentação constante, tiros, saltos duplos e dash, recuperando aquela filosofia dos shooters clássicos em que ficar parado geralmente não é uma boa ideia.
A referência a Quake não está apenas na aparência: a utilização de sua tecnologia ajuda a explicar a ligação do projeto com uma geração de jogos que priorizava velocidade, exploração de arenas e confrontos intensos. Aviãozinho Pré-4 utiliza essa herança para construir uma aventura com referências e humor próprios.
Baki Hanma: Blood Arena | Purple Tree
Quem cresceu jogando Punch-Out!! e Super Punch-Out!! vai reconhecer imediatamente a proposta de Baki Hanma: Blood Arena.
Desenvolvido pela Purple Tree e publicado pela Purple Play, o jogo transporta o universo do anime para uma estrutura de combate inspirada diretamente no clássico da Nintendo. Assim como nos confrontos de Little Mac, não basta atacar sem parar: é necessário observar os movimentos adversários, reconhecer padrões e encontrar o momento certo para esquivar e contra-atacar.
Cada lutador possui técnicas próprias, exigindo que o jogador adapte sua estratégia ao longo das batalhas. A diferença está na ambientação, que substitui os adversários caricatos do boxe da Nintendo pelos confrontos exagerados e pelas artes marciais características de Baki.
É uma combinação que faz sentido. Tanto Punch-Out!! quanto Baki transformam cada adversário em um espetáculo particular, no qual força, personalidade e leitura dos movimentos fazem parte da disputa.
Lançado em setembro de 2025, Blood Arena é um daqueles jogos cuja referência retrô ajuda a explicar imediatamente o que o jogador encontrará.
Bloodfang | Ignite Dreams

Bloodfang aposta em uma experiência de RPG de ação marcada por confrontos brutais e evolução de equipamentos. O sistema combina ataques físicos e magia, permitindo executar sequências de golpes contra adversários que podem ser desmembrados durante as batalhas.
Mas a força do personagem não depende apenas da habilidade do jogador. É necessário reunir materiais, forjar equipamentos e preparar novas combinações para enfrentar os desafios seguintes.
Essa relação entre combate e progressão aproxima Bloodfang da tradição dos RPGs de ação que recompensam tanto o domínio das mecânicas quanto a preparação. A proposta é criar um ciclo em que cada confronto pode representar uma oportunidade de conseguir recursos para sobreviver aos próximos.
Atemporal Silentium | Ouch Games
Os fãs de Devil May Cry e outros hack and slash clássicos conhecem bem a satisfação de alternar armas, encadear golpes e atravessar uma batalha sem perder o ritmo.
Atemporal Silentium segue essa tradição com um sistema de combate que permite escolher e combinar três armas diferentes. A movimentação rápida e o alto teto de habilidade incentivam o jogador a experimentar sequências de ataques, aperfeiçoar seus movimentos e desenvolver um estilo próprio.
A exploração também tem importância na proposta. O jogo utiliza verticalidade, parkour e um gancho de movimentação para atravessar os cenários, procurando manter a agilidade do personagem mesmo fora dos confrontos.
A combinação entre combate e movimentação aproxima a experiência dos jogos de ação que recompensam o domínio dos comandos. Não basta saber derrotar os inimigos; é preciso aprender a utilizar as possibilidades de deslocamento oferecidas pelo personagem.
Poly Fighter | Heartloops Games
Nos jogos de luta tradicionais, escolhemos um personagem e aprendemos seus golpes. Poly Fighter apresenta uma ideia diferente: o repertório do lutador é construído conforme os adversários são derrotados.
O título mistura confrontos inspirados nos fliperamas com progressão roguelike. Cada vitória permite aprender novos movimentos, ampliando as possibilidades de combate e ajudando a criar um estilo próprio.
Essa mecânica acrescenta um elemento de descoberta à estrutura dos jogos de luta. Em vez de apenas memorizar uma lista fixa de comandos, o jogador precisa aprender a utilizar as técnicas conquistadas durante a jornada.
Para quem gosta da linguagem de Street Fighter e dos duelos arcade, o diferencial está justamente nessa combinação entre aprendizado, personalização e confrontos individuais.
Terror, mistério e histórias que fogem do convencional
Spooky Tales | Liminal Road
O terror pode assumir muitas formas. Às vezes, o medo está em uma criatura escondida na escuridão. Em outras, surge de uma situação perturbadora ou da sensação de que algo está profundamente errado.
Spooky Tales explora essa variedade por meio de uma antologia com quatro histórias, cada uma inspirada em uma tradição diferente do gênero. O jogo passa pelo terror pulp dos anos 1920, pelo body horror japonês, pela estética found footage e pelos clássicos filmes slasher.
A apresentação utiliza referências visuais aos jogos do primeiro PlayStation, recuperando uma estética que combina bem com ambientes desconfortáveis e situações misteriosas. A baixa fidelidade visual, característica daquela geração, também pode contribuir para deixar parte do horror a cargo da imaginação.
Além de acompanhar as narrativas, o jogador participa de minigames interativos, criando momentos em que precisa agir diretamente sobre os acontecimentos.
É uma proposta interessante para quem gosta de terror, mas não quer encontrar a mesma fórmula do começo ao fim.
Afantasia | NoidNoidNoid
Acordar em uma cidade desconhecida já seria complicado. Imagine descobrir que você também não consegue lembrar quem é.
Essa é a situação inicial de Afantasia, aventura narrativa protagonizada por um garoto que desperta sem memórias em um lugar estranho, mas visualmente encantador. Sua principal orientação vem de uma voz misteriosa chamada Intrusão, que o acompanha durante a busca por fragmentos de seu passado.
A exploração da cidade está diretamente ligada à descoberta da identidade do protagonista. Cada informação encontrada pode ajudar a reconstruir os acontecimentos anteriores ao seu despertar.
Mas a história não trata apenas de recuperar lembranças. A proposta também envolve decidir quem o personagem deseja se tornar antes que sua identidade desapareça completamente, colocando memória, escolhas e autoconhecimento no centro da experiência.
My Child: New Beginnings | Sarepta Studio
Nem todo jogo precisa colocar o jogador diante de monstros, batalhas ou grandes ameaças para apresentar desafios importantes.
My Child: New Beginnings, desenvolvido pela Sarepta Studio, acompanha uma família que procura reconstruir sua vida após acontecimentos traumáticos. A história acontece em uma nova região da Noruega, onde o jogador participa do cotidiano e das responsabilidades relacionadas à criação de uma criança.
A proposta utiliza situações de convivência, crescimento e reconstrução familiar como elementos centrais da experiência. Diferentemente dos jogos de gerenciamento que priorizam expansão de estruturas ou acumulação de recursos, o foco está no relacionamento entre responsável e criança.
É um exemplo de como os videogames independentes conseguem abordar experiências humanas mais íntimas, utilizando a interação para explorar temas que raramente ocupam o centro dos grandes lançamentos de ação.
A Investigação Póstuma | Mother Gaia Studio
Machado de Assis provavelmente não imaginava que um dia um de seus personagens seria protagonista de um jogo de investigação com loop temporal. Mas, considerando que estamos falando do autor de Memórias Póstumas de Brás Cubas, talvez a ideia não fosse tão absurda assim.
A Investigação Póstuma leva o jogador para um Rio de Janeiro noir de 1937, onde o mistério envolve o assassinato de Brás Cubas. A aventura mistura referências à literatura brasileira com a estrutura dos clássicos point-and-click, investigação policial e manipulação do tempo.
Os personagens seguem rotinas próprias pela cidade, exigindo que o jogador observe seus movimentos, reúna pistas e compreenda os acontecimentos que cercam o crime. Como a investigação acontece dentro de um loop temporal, o conhecimento adquirido em cada tentativa pode ser utilizado para avançar no ciclo seguinte.
Um dos elementos mais curiosos é a possibilidade de encontrar a própria vítima no Limbo para conectar informações e reconstruir o caso.
A combinação entre literatura, investigação e repetição temporal transforma o narrador defunto de Machado de Assis em parte de um mistério interativo. Lançado para PC em março de 2026, o jogo demonstra como obras clássicas brasileiras podem encontrar novas interpretações nos videogames.
Cartas, roguelikes e estratégias improváveis
Soulsworn | thenameisflic
Se você passou horas experimentando fusões em Yu-Gi-Oh! Forbidden Memories, do PlayStation, existe uma boa chance de Soulsworn despertar sua curiosidade.
O jogo declara inspiração em títulos clássicos da franquia, incluindo Forbidden Memories, Tag Force e World Championship, mas utiliza essas referências para construir um roguelike de cartas com maior liberdade de experimentação.
Uma de suas principais mecânicas permite fundir quaisquer dois monstros, com duas fusões disponíveis por turno. Também é possível criar cartas com efeitos próprios, desenvolver combinações e adaptar o baralho aos desafios encontrados durante a jornada.
O sistema não utiliza mana nem limites tradicionais de invocação, favorecendo estratégias agressivas e sequências capazes de encerrar confrontos rapidamente.
A aventura envolve uma tentativa de escapar do Inferno, mas o principal atrativo está nas possibilidades oferecidas pelo sistema de cartas. Para quem gostava de descobrir fusões inesperadas em Forbidden Memories, Soulsworn recupera justamente aquela curiosidade de experimentar combinações e descobrir seus resultados.
Rogue Reigns | Venn Studios
Em Rogue Reigns, morrer deixou de ser uma possibilidade. Isso, entretanto, não significa que o mundo tenha se tornado um lugar melhor.
Desenvolvido pela brasileira Venn Studios, o jogo apresenta um universo de fantasia sombria no qual um grupo de anti-heróis egoístas precisa sobreviver a uma ameaça persistente.
A proposta combina construção de baralhos, progressão roguelike e conflitos entre os próprios personagens. O diferencial está na maneira como as relações do grupo influenciam as estratégias.
É possível desenvolver sinergias que fortalecem os integrantes ou criar rivalidades que prejudicam sua convivência, fazendo com que confiança e sacrifício tenham importância na montagem do baralho.
Assim, o desafio não se resume a reunir cartas poderosas. Também é necessário compreender como os personagens funcionam juntos e quais consequências suas relações podem trazer para os confrontos.
Arcane Rift | Pixell Games
Arcane Rift mistura RPG por turnos, elementos roguelite e pixel art 2D em uma aventura centrada na construção de estratégias.
O jogador integra a Guilda das Fendas e precisa enfrentar os planos de Throuzougard, desenvolvendo combinações de habilidades conforme avança por confrontos que exigem planejamento.
As recompensas encontradas durante a jornada são aleatórias, o que impede depender sempre da mesma sequência de ações. O desafio está em identificar quais habilidades funcionam melhor em conjunto e construir estratégias capazes de superar cada situação.
Para quem gosta de RPGs táticos e da imprevisibilidade dos roguelites, Arcane Rift aposta justamente nessa combinação entre raciocínio e experimentação.
Dfiance Dominance | Voidspark Interactive
Dfiance Dominance utiliza uma guerra entre três mundos como cenário para um jogo de cartas competitivo que procura atender diferentes perfis de jogadores.
A proposta reúne partidas casuais, confrontos contra bots, disputas ranqueadas e torneios, permitindo que cada pessoa escolha o nível de competição que deseja enfrentar.
O sistema também oferece construção e evolução de baralhos, além da possibilidade de trocar cartas com outros jogadores. Essa combinação aproxima o título da tradição dos jogos de cartas colecionáveis, nos quais conhecer as possibilidades disponíveis e montar boas estratégias é tão importante quanto tomar decisões durante uma partida.
O projeto adota um modelo gratuito para jogar.
Rebel Tower | Starry Night Games

Os jogos de tower defense normalmente colocam o jogador diante da missão de impedir que ondas de inimigos atravessem determinado cenário. Rebel Tower acrescenta exploração a essa fórmula.
A aventura exige que o grupo avance por um mapa coberto por névoa, revelando novas salas até alcançar o chefe localizado no final da região. Para sobreviver, é necessário administrar o ouro disponível e posicionar estrategicamente um conjunto limitado de torres defensivas.
Além dessas estruturas, o jogador controla um comandante que participa diretamente das batalhas.
A mistura com elementos roguelite faz com que explorar o território e fortalecer as defesas sejam partes do mesmo desafio, criando decisões constantes entre avançar e garantir a sobrevivência.
Fell & Sell | Art Games Studio S.A.
Imagine entrar em uma masmorra, enfrentar monstros, recolher tesouros e descobrir que, depois de tudo isso, ainda precisa voltar para casa e trabalhar no comércio.
Essa é a proposta de Fell & Sell, que mistura combates hack and slash em primeira pessoa, elementos roguelike e gerenciamento de loja.
Durante as expedições, o jogador procura sobreviver e reunir materiais valiosos para abastecer seu negócio. Os recursos conquistados podem ser utilizados para fabricar produtos e preencher as prateleiras, criando uma relação direta entre o perigo das aventuras e o sucesso comercial.
A combinação lembra a proposta de Moonlighter, embora Fell & Sell utilize confrontos em primeira pessoa e uma abordagem própria para suas masmorras.
No fim, derrotar monstros é apenas metade do trabalho. A outra metade é transformar o saque em lucro.
Hell Clock | Rogue Snail
Uma das propostas mais curiosas desta seleção mistura duas referências que raramente aparecem juntas: Diablo e a Guerra de Canudos.
Desenvolvido pelo estúdio brasileiro Rogue Snail e publicado pela Mad Mushroom, Hell Clock é um RPG de ação roguelike ambientado em uma versão de fantasia sombria do conflito histórico brasileiro.
O jogador controla Pajeú, que enfrenta um purgatório tomado por demônios em uma jornada ligada aos acontecimentos de Canudos. A ambientação utiliza elementos históricos nacionais para construir uma aventura sobrenatural, misturando referências culturais brasileiras com a estrutura dos RPGs de ação.
Os próprios desenvolvedores citam Diablo e Path of Exile como inspirações importantes para o combate e a construção de personagens.
A proposta envolve enfrentar masmorras, conquistar equipamentos e desenvolver combinações de habilidades em uma progressão acelerada, condensando elementos tradicionalmente associados a RPGs de ação extensos.
Lançado em julho de 2025, Hell Clock é um exemplo de como referências internacionais de jogabilidade podem ser combinadas com uma identidade narrativa profundamente brasileira.
Exploração, fantasia e mundos para descobrir
Paradoxical | Venn Studios
Depois de Portal, atravessar instantaneamente de um lugar para outro se tornou uma das mecânicas mais reconhecidas dos jogos de quebra-cabeça. Paradoxical, desenvolvido pela brasileira Venn Studios, parte dessa familiaridade para apresentar uma diferença importante: seus portais são objetos físicos.
Isso significa que podem ser carregados, movimentados e posicionados em diferentes pontos do cenário. O desafio deixa de ser apenas encontrar a entrada e a saída corretas, exigindo que o jogador pense em como transportar e reorganizar os próprios portais para construir caminhos aparentemente impossíveis.
A aventura acontece em um mundo desértico cuja civilização buscou salvação por meio dessa tecnologia, conectando os quebra-cabeças à descoberta do destino daquele lugar.
O projeto também integrou a seleção de indies da Tokyo Game Show 2026, ampliando sua presença em eventos internacionais.
Dark Island: Faded Memories | Harpia Games / Venn Studios
Dark Island: Faded Memories combina fantasia sombria, exploração e uma estética que procura recuperar a atmosfera dos RPGs de gerações anteriores.
A aventura acontece em um mundo marcado por ruínas, ilhas esquecidas e criaturas que continuam habitando regiões abandonadas. O jogador pode explorar esses ambientes, enfrentar monstros e soldados caídos e até montar dragões durante a jornada.
O projeto nasceu com a equipe Harpia Games, posteriormente integrada ao portfólio da Venn Studios, e também apresenta referências ao gênero soulslike, especialmente pela atmosfera e pelos confrontos desafiadores.
A experiência pode ser enfrentada individualmente ou em modo cooperativo, combinando exploração de fantasia, combate e a possibilidade de compartilhar a aventura com amigos.
ARIDA 2: Rise of the Brave | Aoca Game Lab
Os videogames já nos levaram para incontáveis reinos medievais e futuros distantes, mas ainda existe muito espaço para histórias que fazem parte da própria cultura brasileira.
ARIDA 2: Rise of the Brave continua o trabalho da Aoca Game Lab de transformar o sertão do século XIX em uma aventura narrativa, acompanhando Cícera em sua jornada até Canudos, um povoado que representa a esperança de uma nova vida.
A seca e as condições da região influenciam diretamente a experiência, exigindo exploração, gerenciamento de recursos, fabricação de ferramentas e interação com os habitantes encontrados pelo caminho.
Mais do que utilizar o sertão como cenário, ARIDA 2 procura incorporar elementos históricos e culturais à própria progressão, ampliando a jornada da protagonista em uma região descrita como viva, mística e perigosa.
O lançamento está previsto para 2027.
Slash Quest | Mother Gaia Studio
Normalmente, quando um herói encontra uma espada mágica, a expectativa é que ela facilite sua jornada. Em Slash Quest, as coisas são um pouco mais complicadas.
A aventura acompanha Shep, um herói improvável, e Swordie, uma espada mágica falante que precisa reencontrar sua legítima portadora, a Rainha.
O problema é que controlar a arma não é tão simples quanto parece. O jogo utiliza controles não convencionais e transforma o movimento da espada em parte fundamental dos combates e quebra-cabeças.
A arma também pode crescer, criando situações em que aprender a utilizá-la é tão importante quanto enfrentar os inimigos.
A proposta mistura ação, exploração e humor, invertendo a fantasia tradicional do guerreiro habilidoso que domina imediatamente qualquer equipamento poderoso.
Infinitevania | JHT Games
O nome Infinitevania já entrega uma de suas principais referências: a tradição dos metroidvanias, especialmente Castlevania: Symphony of the Night.
Desenvolvido pelo estúdio brasileiro JHT Games, do Espírito Santo, o projeto começou como uma homenagem ao clássico da Konami, combinando exploração de mapas interligados, confrontos contra chefes e aquisição de habilidades que ampliam as possibilidades de progressão.
Uma das mecânicas permite absorver poderes dos inimigos, enquanto movimentos como dash e salto duplo ajudam a explorar regiões anteriormente inacessíveis.
O jogo também conta com dublagem em português brasileiro e procura combinar a estética dos clássicos retrô com uma movimentação mais fluida.
Lançado em julho de 2026 para PC, Infinitevania busca recuperar a satisfação de descobrir segredos e dominar novos caminhos presente nos grandes representantes do gênero.
Futebol, lógica e diversão arcade
Beat the Champions | Purple Tree e Whiteboard Games
Se você sente falta dos jogos de futebol em que o mais importante era fazer gols absurdos e se divertir com os amigos, Beat the Champions segue essa tradição.
Desenvolvido pela Purple Tree em parceria com a Whiteboard Games, o título aposta em partidas arcade com habilidades especiais, movimentos exagerados e uma filosofia que lembra os jogos esportivos dos fliperamas, nos quais a diversão imediata costuma ter prioridade sobre o realismo.
O jogo possui uma licença oficial da Associação do Futebol Argentino, permitindo utilizar seleções históricas com nomes como Maradona, Messi e Batistuta.
Outra característica curiosa é que não existem faltas fora da área, incentivando confrontos mais agressivos e acelerados. Com partidas rápidas, torneios e multiplayer local para até quatro jogadores, Beat the Champions recupera a proposta dos jogos de futebol arcade dos anos 1990, mas acrescenta o espetáculo de reunir diferentes gerações do futebol argentino.
SuperKid X1 | Fogo Games

Quem cresceu jogando futebol na rua provavelmente lembra de uma época em que dois chinelos eram suficientes para montar um gol.
SuperKid X1 utiliza essa memória afetiva como ponto de partida para criar um jogo de futebol com superpoderes. Desenvolvido pela brasileira Fogo Games, o projeto cita Mario Strikers como uma de suas inspirações e apresenta partidas 3D protagonizadas por crianças com habilidades especiais.
O visual cartoon reforça a atmosfera descontraída, enquanto a proposta arcade deixa espaço para movimentos exagerados e situações que dificilmente aconteceriam em uma partida convencional.
O jogo também conta com multiplayer, aproximando a experiência das disputas entre amigos. A mistura entre brincadeiras de infância e futebol fantástico é o principal diferencial de SuperKid X1, que está em desenvolvimento para PC.
Minesweeper Galaxies | Mother Gaia Studio

Algumas pessoas olham para uma grade cheia de números e enxergam um problema. Outras enxergam a possibilidade de passar horas tentando resolvê-lo.
Minesweeper Galaxies foi pensado para esse segundo grupo, misturando referências de três clássicos dos jogos de raciocínio: Campo Minado, Picross e Sudoku.
Cada uma dessas experiências utiliza números e regras de maneira diferente. Campo Minado exige identificar posições perigosas a partir de pistas, Picross transforma informações numéricas em padrões visuais e Sudoku trabalha a organização lógica de elementos.
Ao reunir características desses jogos, Minesweeper Galaxies procura criar quebra-cabeças que exigem observação, dedução e planejamento, mostrando que mecânicas bastante conhecidas ainda podem gerar novas experiências.
PoPaPom: A Tale of Dreams and Monsters | Nebula Devs
PoPaPom combina ação, plataforma e roguelite em uma aventura que recupera a linguagem dos jogos arcade.
Desenvolvido pela brasileira Nebula Devs, o título coloca o jogador diante da missão de escalar a Torre dos Sonhos e enfrentar o Pesadelo, atravessando fases geradas aleatoriamente e participando de combates rápidos em arenas.
Durante as partidas, é possível coletar itens e modificadores que alteram a experiência, incentivando diferentes combinações a cada tentativa.
O jogo também oferece multiplayer local, permitindo enfrentar os desafios com amigos, enquanto a apresentação em pixel art reforça sua ligação com os clássicos de ação 2D.
Publicado pela Nuntius Games e Vsoo Games, PoPaPom combina nostalgia e imprevisibilidade em uma proposta voltada à diversão arcade.
Muito além da nostalgia
Uma das coisas mais interessantes dessa seleção é perceber como os jogos independentes conseguem olhar para o passado sem necessariamente ficar presos a ele.
Baki Hanma: Blood Arena recupera a estrutura de Super Punch-Out!!. Soulsworn encontra inspiração nos antigos jogos de Yu-Gi-Oh!, especialmente Forbidden Memories. Infinitevania presta homenagem a Symphony of the Night, enquanto Atemporal Silentium dialoga com os grandes hack and slash.
Mas também existem propostas que procuram novas possibilidades dentro de gêneros conhecidos. Paradoxical transforma portais em objetos que podem ser carregados, Fell & Sell mistura exploração de masmorras com gerenciamento de loja e Rogue Reigns coloca as relações entre personagens dentro da construção de estratégias.
Outro aspecto importante é a presença de histórias que encontram inspiração no próprio Brasil. Hell Clock utiliza a Guerra de Canudos como base para uma fantasia sombria, ARIDA 2 explora o sertão do século XIX e A Investigação Póstuma transforma Machado de Assis em parte de um mistério policial. Já SuperKid X1 recupera o futebol de rua e Aviãozinho Pré-4 leva seu humor brasileiro para um FPS construído com tecnologia dos anos 1990.
São maneiras diferentes de mostrar que os videogames podem dialogar com nossa cultura sem abandonar a diversão, a experimentação e as referências que marcaram gerações.
A BGS 2026 reuniu projetos em estágios distintos, de jogos já lançados a produções que ainda procuram conquistar seu espaço. E é justamente por isso que vale acompanhar a cena independente.
Às vezes, o próximo jogo que vai marcar sua memória não está no maior estande da feira. Pode estar naquele projeto que você conheceu por acaso, decidiu experimentar por alguns minutos e acabou levando para casa na forma de uma nova obsessão.
E você? Qual desses indies mais chamou sua atenção? E qual outro jogo apresentado na BGS 2026 merece entrar nessa conversa?
