Mistério brasileiro transforma Brás Cubas em vítima de assassinato e mistura investigação, loop temporal e o humor de Machado de Assis.
Eu me encantei por Investigação Póstuma desde a primeira jogatina no PC. A mistura de investigação, humor e literatura brasileira funcionou tão bem comigo que, quando soube que o jogo estava chegando ao Nintendo Switch, não pensei duas vezes.
E a boa notícia é que agora ficou ainda mais fácil entrar nesse caso.
Investigação Póstuma já está disponível para Nintendo Switch e Android, enquanto a versão para iOS será lançada em seguida. Para quem quiser experimentar antes de comprar, o mobile ainda oferece uma demo gratuita com o começo da investigação.
No Nintendo Switch e PC, o jogo custa R$ 49,99. No Android, o preço promocional é de R$ 24,90, mesmo valor previsto para a versão de iOS. No computador, o título continua disponível pela Steam e Nuuvem.
Mas talvez você esteja se perguntando por que estou recomendando tanto esse jogo.
A resposta começa com um cadáver.
E não é qualquer cadáver.
Quem matou Brás Cubas?
Em Investigação Póstuma, somos um detetive contratado pelo próprio Brás Cubas para solucionar um pequeno inconveniente: descobrir quem o matou.
Sim, aquele Brás Cubas.
A aventura nos leva para um Rio de Janeiro de 1937, apresentado com uma estética noir que combina muito bem com a proposta de investigação. Só que existe outro problema além do assassinato.
O dia está preso em um loop temporal.
Quando tudo recomeça, você mantém aquilo que descobriu anteriormente. Isso permite seguir outros caminhos, observar a rotina dos personagens, testar novas abordagens, confrontar álibis e descobrir informações que antes poderiam ter passado despercebidas.
Foi justamente essa liberdade para investigar que me conquistou quando joguei no PC.
O jogo não fica simplesmente apontando o dedo para onde você deve ir. Existe um prazer enorme em observar comportamentos, desconfiar das pessoas e começar a conectar informações até perceber que aquela conversa aparentemente inocente talvez escondesse algo importante.
E praticamente todo mundo parece ter alguma coisa para esconder.
Bem-vindo ao Machadoverso
A Mother Gaia chama esse encontro entre diferentes obras de Machado de Assis de Machadoverso.
A trama reúne elementos de Memórias Póstumas de Brás Cubas, O Alienista, Quincas Borba e Dom Casmurro, colocando personagens e referências dentro de uma mesma investigação.
E uma das coisas que mais gosto em Investigação Póstuma é justamente como ele trabalha esse material sem transformar a experiência em uma aula de literatura.
O humor ácido e irônico combina perfeitamente com a investigação.
Temos 14 personagens, cada um com seus próprios horários, segredos e motivações. Entre fofocas, interesses, hipocrisias e pequenas ou grandes sacanagens, praticamente qualquer pessoa pode parecer culpada dependendo do momento da investigação.
As conversas viram uma deliciosa troca de farpas.
Você segue suspeitos, faz perguntas, confronta informações e tenta descobrir onde cada peça se encaixa. E quanto mais conhece aquelas pessoas, mais motivos encontra para desconfiar delas.
A ambientação também merece destaque. O Rio de Janeiro de 1937 é uma das coisas mais bonitas do jogo, com uma direção de arte que me fez várias vezes diminuir o ritmo da investigação simplesmente para observar os cenários e seus detalhes.
É uma releitura muito divertida de Machado de Assis, mas também funciona muito bem como jogo de mistério por conta própria.
Agora dá para investigar em qualquer lugar
As novas versões já incluem as correções e melhorias recebidas pelo jogo desde seu lançamento original no PC, em março.
Entre os recursos está a possibilidade de ajustar o tamanho dos textos, algo especialmente útil em telas menores. No celular, é possível jogar utilizando os comandos por toque ou um controle conectado por Bluetooth ou diretamente ao aparelho.
Para Bruno Toledo, cofundador da Mother Gaia e diretor do jogo, levar Investigação Póstuma para outras plataformas era um desejo antigo da equipe.
“Levar nosso jogo para outras plataformas é algo que nós sonhamos há muito tempo. Estamos muito felizes em ver mais pessoas entrando no nosso Machadoverso e, agora que o jogo chega aos portáteis, esperamos que possa fazer parte dos momentos de pausa no dia a dia de cada um e tornar essa investigação ainda mais próxima.”
A Mother Gaia fica em Bauru, no interior de São Paulo. A ideia de Investigação Póstuma nasceu de um protótipo criado durante uma game jam em 2014, enquanto o desenvolvimento formal começou em 2020 com uma equipe enxuta.
A publicação é da CriticalLeap, selo da Nuuvem, e o jogo está disponível em português, inglês, japonês, chinês e russo.
E se você ainda não conhece esse caso, a chegada aos portáteis é uma ótima oportunidade.
Quem tem Switch pode agora levar a investigação para qualquer lugar. Quem não tem o console da Nintendo também pode jogar pelo celular e, no Android, experimentar gratuitamente o começo antes de decidir pela compra.
Eu já havia me encantado por Investigação Póstuma no PC. Agora tenho uma ótima desculpa para voltar ao Rio de Janeiro de 1937 e investigar tudo novamente no Switch.
Afinal, descobrir quem matou Brás Cubas não é pouca coisa.
O restante fica por sua conta.
Ou, como diria o Seu Madruga, deixe que seus “dotes detetivescos” cuidem do caso.
