A Ubisoft quer deixar claro que ainda possui grandes ambições para o futuro. Em relatório divulgado no dia 20 de maio, a publicadora francesa revelou um plano robusto de lançamentos até abril de 2029, prometendo um pipeline de conteúdo considerado “significativamente maior” do que o visto nos últimos anos.
Entre as franquias que devem receber novos capítulos estão algumas das principais marcas da empresa, incluindo Assassin’s Creed, Far Cry e Tom Clancy’s Ghost Recon, reforçando a intenção da Ubisoft de apostar em propriedades já consolidadas no mercado.
Mas o discurso da companhia vai além da quantidade. Segundo o documento, a nova estratégia também envolve um retorno a padrões mais elevados de qualidade, uma promessa que parece mirar diretamente as críticas recebidas pela empresa nos últimos anos.
Ubisoft quer elevar o padrão de qualidade
O relatório também aproveita para destacar resultados recentes considerados positivos pela empresa. A Ubisoft citou que Assassin’s Creed Shadows, Anno 117: Pax Romana e a expansão de Avatar: Frontiers of Pandora alcançaram avaliações acima de 80 no Metacritic, algo visto internamente como um indicativo do caminho que deseja seguir.
Para Yves Guillemot, esses números representam apenas o ponto de partida. Segundo o executivo, a Ubisoft pretende demonstrar aos jogadores que é capaz de entregar “experiências de alta qualidade de forma consistente”, mantendo também um ritmo sustentável de lançamentos.
A fala indica uma tentativa de reposicionar a imagem da empresa após anos marcados por adiamentos, recepção mista de alguns projetos e questionamentos sobre a consistência da qualidade entre seus lançamentos.
O novo planejamento veio acompanhado de cortes
Para chegar a esse novo calendário, a Ubisoft reconhece que precisou tomar decisões difíceis ao longo dos últimos anos. O relatório aponta que a empresa cancelou sete projetos e adiou outros seis, afirmando que a estratégia teve como objetivo “maximizar valor a longo prazo”.
Entre os projetos mais impactados esteve o aguardado remake de Prince of Persia: The Sands of Time, que acabou sendo descartado após um longo período de incertezas e reformulações internas.
Na época, Yves Guillemot justificou os cortes afirmando que o mercado de jogos AAA se tornou cada vez mais “seletivo e competitivo”, especialmente diante do aumento dos custos de desenvolvimento e da dificuldade crescente de criar novas propriedades fortes.
As mudanças também atingiram diretamente a estrutura da empresa. A Ubisoft confirmou o fechamento de alguns estúdios e uma redução de aproximadamente 1.200 funcionários em comparação ao ano anterior.
Segundo a publicadora, o objetivo desse enxugamento foi criar uma operação mais focada e eficiente, capaz de sustentar um calendário consistente de grandes lançamentos ao longo dos próximos anos.
No fim, o discurso da Ubisoft parece tentar equilibrar duas mensagens: a promessa de mais jogos e, ao mesmo tempo, a garantia de que esses projetos chegarão ao mercado com um nível de qualidade superior ao visto recentemente. Agora, resta saber se a empresa conseguirá transformar o discurso em resultados concretos.
