A Take-Two Interactive promoveu uma nova rodada de mudanças internas que atingem diretamente sua estrutura de inteligência artificial, levantando questionamentos sobre o papel da tecnologia dentro da empresa. Mesmo em meio à expectativa por Grand Theft Auto VI, a publisher decidiu reorganizar a área e desligar parte relevante da equipe responsável por projetos de IA.
Entre os afetados está Luke Dicken, que havia assumido a liderança do setor no início de 2025. Em comunicado divulgado pelo Kotaku, o executivo confirmou sua saída e destacou o trabalho desenvolvido ao longo dos últimos anos. Segundo ele, a equipe vinha atuando há sete anos no desenvolvimento de tecnologias voltadas à criação de jogos, com foco em ampliar possibilidades sem substituir o trabalho humano.
A movimentação também chama atenção pelo histórico da equipe. Parte significativa dos profissionais veio da Zynga, adquirida pela Take-Two em 2022 por US$ 12,7 bilhões. A decisão de reduzir essa estrutura sugere uma revisão mais ampla da estratégia adotada após a aquisição, especialmente no que diz respeito ao retorno esperado dessas iniciativas.
O caso ganha ainda mais peso ao ser comparado com o discurso recente da liderança. Executivos como Karl Slatoff e o CEO Strauss Zelnick vinham defendendo o uso de IA generativa como ferramenta de apoio ao desenvolvimento, embora com ressalvas. Em determinados momentos, a empresa chegou a se distanciar de soluções mais avançadas após preocupações de investidores sobre o impacto dessas tecnologias na estrutura de equipes.
Zelnick, em especial, reforçou essa posição ao afirmar recentemente que considera “ridícula” a ideia de que a inteligência artificial poderia criar sozinha um novo GTA. A fala ajuda a entender o caminho adotado pela empresa, que busca equilibrar o uso da tecnologia sem comprometer o valor criativo das equipes.
A reestruturação, no entanto, expõe uma contradição prática. Enquanto o discurso aponta para integração gradual da IA, as decisões internas indicam ajustes mais agressivos na forma como essa tecnologia será aplicada. O resultado é um cenário em que a Take-Two tenta reposicionar sua estratégia sem abrir mão da identidade criativa que sustenta suas principais franquias.
