Criado do zero com uma engine própria, o projeto busca reproduzir a experiência dos fliperamas da Capcom no console de 16 bits, incluindo personagens maiores e a meta de alcançar 60 fps.
Quem viveu a febre de Street Fighter II nos anos 90 sabe o que significava encontrar uma máquina do jogo nos fliperamas. Era gente esperando a vez de jogar, disputas entre amigos e aquela satisfação de acertar um Hadouken no momento certo.
Quando o clássico chegou ao Super Nintendo, em 1992, parecia que finalmente tínhamos levado o fliperama para dentro de casa. A conversão da Capcom foi um acontecimento e se tornou um dos títulos mais marcantes do console, mesmo com as adaptações necessárias para funcionar em um hardware diferente da placa original de arcade.
Mais de três décadas depois, um desenvolvedor independente resolveu revisitar essa história com uma pergunta interessante: até onde o Super Nintendo conseguiria chegar se Street Fighter II fosse reconstruído hoje?
Conhecido no X como @thantelius, o criador está desenvolvendo uma nova versão do jogo, feita do zero com uma engine própria chamada Diemei. A intenção é aproximar a experiência doméstica da versão que rodava na placa CPS-1, utilizada pela Capcom nos fliperamas.
O que muda nessa nova versão?
Segundo o desenvolvedor, o projeto tem como principais objetivos apresentar personagens com dimensões semelhantes às do arcade, oferecer controle de seis botões e alcançar 60 quadros por segundo no hardware original do Super Nintendo.
A proposta chama atenção porque não se trata de uma simples modificação da conversão oficial de 1992. O jogo está sendo reconstruído sobre uma nova base técnica, desenvolvida especificamente para trabalhar com as características do SNES.
A versão mais recente já apresenta rolagem dos cenários e um modo de demonstração com quatro combates automáticos.
Esse último detalhe é uma homenagem interessante aos fliperamas. Quem frequentava os arcades provavelmente se lembra das máquinas exibindo partidas sozinhas enquanto ninguém estava jogando. Era uma maneira de mostrar o jogo em ação e atrair a atenção de quem passava.
É um recurso pequeno, mas que ajuda a recuperar a atmosfera da experiência original.
O desenvolvedor também está criando a Diemei como uma ferramenta que poderá facilitar futuras adaptações de jogos para Super Nintendo e Super Famicom. Por enquanto, porém, não há outros títulos anunciados utilizando a engine.
Vale destacar que os 60 fps representam uma meta do projeto. Ainda será necessário acompanhar os testes para verificar como o desempenho se comportará durante partidas completas, com diferentes personagens e situações de combate.
O desafio de reproduzir o arcade em um console de 16 bits
O Super Nintendo recebeu uma excelente conversão de Street Fighter II, mas existiam diferenças importantes entre seu hardware e a CPS-1.
A placa de arcade da Capcom foi desenvolvida para apresentar jogos com personagens grandes, animações elaboradas e cenários detalhados. Já o console da Nintendo precisava trabalhar dentro de limites diferentes de memória, processamento e recursos gráficos.
Por isso, a versão doméstica exigiu adaptações, ainda que tenha conseguido preservar a essência da jogabilidade que transformou Street Fighter II em um fenômeno mundial.
O interessante é que hoje os desenvolvedores independentes contam com ferramentas e documentação técnica que permitem explorar o hardware antigo de novas maneiras.
Mas aproximar os gráficos do arcade é apenas parte do desafio.
Em um jogo de luta, a precisão dos comandos, a velocidade das animações, a detecção de colisões e o tempo de resposta são fundamentais. Uma conversão visualmente impressionante precisa também preservar a sensação de controle que tornou o original tão especial.
É nesse equilíbrio entre apresentação e jogabilidade que o trabalho de @thantelius terá seu maior teste.
Ainda sem previsão de lançamento
O projeto continua em desenvolvimento e não possui data de lançamento anunciada.
O criador vem compartilhando vídeos, atualizações e versões de teste por meio de seu perfil no X, mas algumas informações importantes ainda não foram esclarecidas.
Entre elas estão a revisão exata de Street Fighter II utilizada como referência, a quantidade de personagens já jogáveis e quais recursos do arcade estarão presentes na versão final.
O desenvolvedor descreve sua ambição como criar a conversão que os fãs sonhavam em ter em 1992. É uma ideia empolgante, mas a fidelidade ao original só poderá ser avaliada com mais segurança conforme o projeto avançar.
Quem quiser acompanhar as novidades pode procurar pelo perfil @thantelius, no X.
O fliperama que ainda cabe dentro do Super Nintendo
Existe algo especial em ver um jogo tão importante receber atenção de desenvolvedores mais de 30 anos depois de sua estreia.
A conversão oficial de Street Fighter II para Super Nintendo já foi um marco e não precisa ser substituída para continuar relevante. O novo projeto desperta curiosidade por outro motivo: a possibilidade de descobrir caminhos técnicos que não foram explorados naquela época.
Para quem cresceu jogando no SNES, é quase como revisitar uma velha discussão de locadora sobre qual versão era mais parecida com a máquina de fliperama.
Só que, desta vez, alguém está tentando responder à pergunta com um jogo novo.
E se a Diemei conseguir entregar uma experiência convincente no hardware original, teremos mais um exemplo de como a comunidade homebrew continua encontrando maneiras de surpreender com consoles clássicos.
Você jogou Street Fighter II primeiro no fliperama ou no Super Nintendo?
