Imersão nos Games, ou, “O dia em que me tornei um Witcher”

Imersão nos Games, ou, “O dia em que me tornei um Witcher”

22 de março de 2018 0 Por Lord Inhame
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The Witcher é um jogo lançado pra PC (Windows) em 26 de Outubro de 2007, na Europa, relançado posteriormente em sua versão Enhanced e ainda pode ser encontrado para comprar em lojas virtuais, como Steam e GOG.

A história do seu desenvolvimento é fascinante, (claro que será contada aqui no PdF futuramente) sendo um projeto conturbado, difícil, mas, acima de tudo, feito com paixão por seus desenvolvedores.

Pode ser que seja essa paixão que transpareceu à mim quando o joguei e, por isso hoje, venho afirmar que The Witcher foi uma das experiências mais Imersivas que já tive em um videogame.

 

Imersão nos videogames

Engraçado falar de imersão em games, já que ela é parte inerente da experiência, pois num game você está controlando um personagem, um objeto ou moldando as formas nas quais os atores inseridos naquele mundo interagem com o mesmo. Mas nem sempre acontece de nos sentirmos parte integrante, viva daquele mundo.

Agora pare para pensar por alguns segundos, em termos de verdadeira imersão, de sentir que você é o personagem principal daquele jogo, de se arrepiar quando ele descobre uma revelação, de vibrar quando derrota o seu maior inimigo ou de chorar quando ele perde um amigo querido. Qual jogo já te proporcionou isso, ou qual jogo MAIS te proporcionou isso? No sentido de que quando você terminou esse jogo, se sentiu perdido, como se uma parte da sua vida tivesse terminado e agora você tem alguns minutos ou horas, vagando pelo mundo real procurando sentido nas coisas novamente.

No meu caso, um dos jogos que mais me proporcionou isso foi, com certeza, The Witcher.

The Witcher

(…) se você quiser viver a verdadeira experiência de Witcher, jogue no hard (…)

Você controla Geralt, um Witcher, que é uma espécie de bruxo, um caçador que treinou sua vida inteira e passou por misteriosos rituais que aprimoram o seu corpo e suas habilidades físicas e mágicas para caçar monstros, que foram trazidos a este planeta por fendas interdimensionais que se abriram na chamada “Conjunção das Esferas”.

E não, eu não pesquisei nada do que falei no parágrafo acima no Google.

O jogo usa um artifício de narrativa muito utilizado, o protagonista sem memória.

Geralt começa o jogo sendo resgatado, quase morto, e se recupera em Kaer Morhen, umas fortaleza, utilizada como base dos Witchers. Netse ponto, vale ressaltar que o jogo foi baseado em uma série de livros, escritos pelo escritor polonês Andrzej Sapkowski, porém, assim como a grande maioria dos jogadores, eu comecei na série sem ter lido uma palavra destes livros. Só posso dizer que isso também me ajudou a moldar o Geralt que eu vivi.

No início do The Witcher, eu não senti que estava dentro daquele mundo, estava ainda tentando entender a história, seus personagens e os controles do jogo. Sim, este jogo é (errôneamente) famoso por ter controles horríveis, mas, incrivelmente, esses controles “horríveis” também acrescentaram no fator imersão, na minha experiência.

Depois da primeira missão, que é basicamente um tutorial e coloca a história do jogo em curso e devo acrescentar que ela desempenha um excelente papel nesse aspecto, passamos realmente a controlar Geralt de Rivia e suas escolhas. É neste momento da minha narrativa que acrescento o fato de que comecei a jogar o jogo no hard (difícil), pois um sábio amigo me falou: “se você quiser viver a verdadeira experiência de Witcher, jogue no hard”. Sábio conselho, seguido, sem arrependimentos.

Quando me tornei um Witcher

(…) cada luta, literalmente cada combate, seja contra 1 ou 10 inimigos menores, ou 1 inimigo gigante, exigia preparação prévia.

Claro que no começo eu tomei um “pau federal” até dos primeiros monstros do jogo, mas, foi nesse momento de derrota e frustração que eu virei um Witcher. Meu espírito baixou em Geralt de Rivia e o dele em mim, trocamos olhares e falamos, se vamos encarar essa jornada então eu tenho que me tornar você e você terá que se tornar eu.

Então eu tomei os ensinamentos de Vesemir (mentor, amigo e companheiro de profissão de Geralt) ao pé da letra. Vou enfrentar um Lobisomem? Então para quê gastar dinheiro em uma espada nova, se posso comprar um livro com estudos sobre criaturas amaldiçoadas e descobrir que uma determinada poção e um óleo especial aplicado em minha arma irá causar muito mais dano na criatura?

O quê? Eu não tenho a receita dessa poção? Bom, então vou vender parte do loot dos inimigos que matei para comprar a receita dela e assim colher os ingredientes para que eu possa prepará-la.

Falando em preparar, cada luta, literalmente cada combate, seja contra 1 ou 10 inimigos menores, ou 1 inimigo gigante, exigia preparação prévia. Tomar poções, passar óleo correto na espadas, saber que a espada de aço é para humanos ou criaturas normais como ursos e lobos e a espada de prata é usada contra monstros, saber qual magia do Witcher seria eficaz contra cada monstro e qual estilo de luta adotar, rápido, cadenciado ou forte, mas com golpes mais lentos.

Cada combate eu sentia como se minha experiência estivesse aumentando, como se eu estivesse virando um Witcher mais veterano, mais profissional. Não, não estou falando da experiência no jogo para subir meu level, mas minha experiência real, vivendo como um Witcher.

Quem precisa de VR pra se sentir imerso em um jogo?

Para exemplificar o nível de imersão, vou falar brevemente uma das quests do jogo, tentando manter o nível de spoiler o mais baixo possível.

Em certo momento, nos deparamos com um assassinato e precisamos solucioná-lo, pois além de um bruxo/caçador os Witchers, para resolver seus trabalhos, também devem ser excelentes detetives. O assassinado era uma testemunha importante, o que nos impede de prosseguir na nossa missão principal. Existem 6 suspeitos e, o pior de tudo, de certa forma você se envolve com todos eles e pior, acaba criando empatia por todos.

E cada side-quest que fazemos para tentar descobrir quem é o assassino, possui uma história profunda de cada um dos suspeitos, não apenas uma mera tarefa de vá do ponto A ao B, mas missões que influenciam o destino destes personagens e amigos seus.

Em suma, no fim dessa quest eu estava literalmente suando frio, pois na investigação final você tem a possibilidade de apontar um suspeito falso, seja propositalmente por alguma richa com algum dos envolvidos, ou por erro na sua autópsia e investigação, uma falha qualquer em fazer uma leitura se um dos suspeitos estava mentindo ou te usando.

Se eu errasse, um inocente seria punido e eu, Alex, me senti verdadeiramente pressionado, como se isso estivesse ocorrendo em minha vida, como se eu precisasse fazer a escolha certa senão estaria causando uma catástrofe na vida de um amigo.

Considerações finais

Enfim, essa é apenas uma de muitas histórias que vivi na pele de Geralt de Rivia. Se você quiser jogar The Witcher, recomendo baixar o mod Rise of the White Wolf, que ajuda a melhorar MUITA coisa no jogo base, sem mudar sua essência. Talvez você não tenha a mesma experiência que eu tive e entre pro grupo dos que odeiam o primeiro jogo da série pelo seus controles “rudimentares”, mas, acho que vale a tentativa.

Eu acredito que a imersão, principalmente em jogos de RPG, é uma série de conjuntos definidos no desenvolvimento e design de um game que, somados à sua interpretação, disposição e interação com o jogo, tornam esse “artefato” uma experiência para vida toda.

Se você tiver interesse sobre a psicologia por trás da imersão nos jogos, recomendo este artigo (clique aqui para ser direcionado), está em inglês, mas você pode aproveitar e treinar seus conhecimentos na língua do Tio Sam.

Agora, me resta terminar o The Witcher 3 e os livros e, quem sabe, nos falamos futuramente como foram essas outras experiências para mim.

Minha escala de imersão: Witcher 1 >>>>>> Witcher 2

 

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